Bruno Rezende, CEO da 4intelligence. Foto: divulgação.

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A 4intelligence, startup mineira voltada para a tomada de decisões com soluções dirigidas por inteligência artificial, acaba de receber um aporte de R$ 10 milhões do Inovabra Ventures, braço de venture capital do banco Bradesco.

De acordo com o site Brazil Journal, a captação é a primeira fatia de uma rodada série A que deve chegar a R$ 25 milhões e será concluída em setembro.

Fundada em 2016, a 4intelligence vem desenvolvendo uma série de algoritmos de machine learning automáticos, conhecidos como autoML — conceito desenvolvido no mesmo ano pela americana DataRobot.

Na prática, os algoritmos permitem testar de maneira automatizada centenas de milhares de versões de um mesmo modelo preditivo. 

Para isso, são feitas diversas parametrizações dos modelos, além de ajustes finos, e as versões são rodadas na plataforma para descobrir qual é a melhor para cada tipo de uso.

Em um modelo de previsão de vendas, por exemplo, são testados, em média, 150 mil modelos diferentes para cada SKU.

Cada teste é feito em menos de 15 minutos na plataforma, mas o algoritmo precisa rodar constantemente. Assim, a startup consegue testar milhões de modelos por dia, enquanto um analista testaria cerca de 10 a 15 diariamente. 

Além de automatizar o processo, o sistema se baseia essencialmente na customização de acordo com o negócio do cliente, prometendo aumentar a acurácia dos modelos em cerca de 20% em comparação com outros modelos personalizados.

A empresa conta com clientes de diferentes segmentos, como Coca-Cola, Volvo, VLI, Hering e M Dias Branco.

A ideia surgiu pela própria experiência dos fundadores Juan Jensen, Bruno Rezende, Rafael Mendonça, Thiago Curado e Bruno Lavieri, que são os sócios da consultoria de macroeconomia 4E, uma dissidência da Tendências.

Como analistas, eles participavam de semanas de trabalho, muitas vezes repetitivo, para chegar a equações que explicassem determinado fenômeno. Quando algo mudava, como ocorreu com a pandemia, tudo precisava ser refeito. Agora o trabalho repetitivo é feito pelo algoritmo.  

“Com nosso algoritmo, facilitamos o processo decisório das empresas, com respostas rápidas e precisas. É um recurso essencial antes, durante e principalmente no pós-pandemia”, afirma Bruno Rezende, CEO da 4intelligence.

Em 2020, a empresa teve uma receita de R$ 3,5 milhões. Sua previsão é mais do que quadruplicar o faturamento este ano, chegando a R$ 13,7 milhões.

Em dezembro do ano passado, a startup já havia recebido um aporte de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões) do Inovabra Ventures e, com o novo investimento, pretende usar os recursos para aprimorar a Forecast Hub, plataforma que é o seu principal produto.

Outra parte dos R$ 10 milhões vai financiar o lançamento de uma plataforma de autosserviço. Hoje, a equipe da 4intelligence ainda precisa auxiliar todos os clientes na escolha dos dados que serão usados nos modelos e na integração com a plataforma.

A ideia é lançar uma plataforma onde os próprios clientes possam imputar os dados de forma intuitiva e parametrizar os modelos — simplificando o processo, aumentando a margem e permitindo que ela comece a atender também médias empresas.