Carro sem condutor do Google.

Num futuro próximo, carros produzidos em série sairão das fábricas sem volante, pedais de acelerador e freio, buzinas e espelhos retrovisores.  Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), o carro sem condutor será uma realidade em breve.

Os mais de 200 pesquisadores, acadêmicos, praticantes, membros de sociedades e agências governamentais da área de veículos autônomos que participaram da pesquisa ainda discutem as dificuldades para adoção em massa, as tecnologias autônomas essenciais e necessárias, as características do carro do futuro e adoção geográfica.

Quando consultados sobre seis possíveis obstáculos para a adoção em massa do carro sem condutor, os pesquisados indicaram a responsabilidade legal, os fatores políticos e a aceitação do consumidor como os maiores obstáculos. Infraestrutura, custo e tecnologia foram considerados obstáculos menores.

“Sempre que uma tecnologia puder causar mudanças fundamentais na rotina diária das pessoas, é necessário estabelecer leis e políticas que assegurem que a tecnologia será utilizada corretamente e beneficiará as pessoas. Isso é especialmente verdadeiro quando se fala em veículos inteligentes,” afirmou Yaobin Chen, Membro Sênior do IEEE, professor e presidente da área de engenharia elétrica e informática da Purdue School of Engineering and Technology. 

Quando consultados sobre o ano em que equipamentos específicos serão removidos de carros produzidos em massa, a maioria dos pesquisados disse que espelhos retrovisores, buzinas e freios de emergência serão removidos até o ano 2030. 

A direção e os pedais de acelerador e freios serão removidos até o ano 2035.

“Vimos um crescimento impressionante da indústria de veículos sem condutor nos últimos anos, tanto com relação a avanços tecnológicos como aceitação do fabricante, o que afetou drasticamente o tempo de adoção por parte do consumidor,” afirmou Alberto Broggi, membro da IEEE, e professor de engenharia informática da Universidade de Parma e fundador da Vislab. 

Segundo ele, a comunidade científica e fabricantes de carros têm trabalhado em parceria para incrementar as características autônomas em carros modernos, com o objetivo de produzir veículos sem condutor em um futuro próximo. 

“Para que haja adoção em massa, é importante que comecemos a confiar nessa tecnologia”, finalizou.

Para a pesquisa, avanços tecnológicos serão extremamente importantes no desenvolvimento contínuo de veículos sem condutor. Mais da metade dos entrevistados (56%) afirmam que a tecnologia de sensores é essencial, seguido de software (48% dos entrevistados), Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor (47%) e GPS (31%).

“Um veículo sem condutor precisa de um constante fluxo de informações sobre a estrada e seus arredores para tomar decisões calculadas, que são chamadas de percepção. Os sensores são uma das mais importantes e confiáveis tecnologias para o avanço de situações de percepção,” afirma Christoph Stiller, membro do IEEE e professor do Karlsruhe Institute of Technology na Alemanha.

Juntamente com os sensores, a criação de mapas digitais das estradas é uma função necessária para que veículos autônomos se movimentem com segurança nas estradas. 

Ao serem indagados sobre quanto tempo levaria para completar um mapa digital do mundo todo, quase três quartos dos entrevistados (74%) mencionaram que esses mapas estarão disponíveis nos próximos 15 anos.

A pesquisa foi feita com participantes do Simpósio sobre Veículos Inteligentes da IEEE em Dearborn, Michigan, de 8 a 11 de junho. Foi também enviada por email aos membros da Sociedade de Sistemas de Transporte Inteligente da IEEE. 

A experiência na indústria entre os participantes da pesquisa varia desde estudantes universitários até pessoas com mais de 20 anos de experiência. A análise dos resultados revelou consistência em todos os níveis de experiência, o que indica que o tempo de atuação na indústria não foi um fator importante na determinação de conclusões sobre o futuro da indústria de veículos sem condutor.