Valter Ferreira da Silva.

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre renovou no começo de agosto por mais um ano seu contrato de fábrica de software com o Capgemini.

Foram contratados até 35 mil pontos de função, a um custo de R$ 528 por ponto, para dar continuidade ao desenvolvimento do Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários (AGHU).

O AGHU é uma iniciativa bancada com recursos do Ministério da Educação, visando desenvolver um software que leve as boas práticas do HCPA, reconhecido como um dos melhores hospitais universitários do Brasil, para outras 46 instituições do gênero no país.

O primeiro contrato com a multinacional francesa, também de um ano, previa a entrega de até 35 mil pontos de função, a um custo unitário de R$ 488. O HCPA acabou usando 11 mil, totalizando R$ 5,3 milhões.

A contratação de fábricas de software começou em 2013, quando a escolhida foi a CTIS. Na ocasião, no entanto, o contrato era menor, ficando em pouco mais de 9 mil pontos de função.

Antes disso, o HCPA fazia a contratação de profissionais e mantinha os times dentro de casa, no modelo body shop.

“Estamos renovando todo o sistema de gestão do HCPA, ao mesmo tempo em que ajudamos a melhorar a gestão de hospitais públicos em todo o país”, aponta Valter Ferreira da Silva, coordenador de Gestão da Tecnologia da Informação do HCPA.

De acordo com Silva, os primeiros módulos do AGHU, focados em funcionalidades mais simples como gestão de pacientes e internações eram apenas migrações do software criado pelo HCPA em Oracle Forms, o AGH, para Java.

A medida em que são migradas funções mais sofisticadas como gestão de bloco cirúrgico, aumenta a preocupação por não só reescrever o programa, mas também adicionar funcionalidades novas e melhorias na interface.

Os primeiros módulos do AGHU foram implantados em agosto de 2010, na Maternidade Vitor Ferreira do Amaral, de Curitiba. Hoje, 30 instituições em todo o país já possuem algum módulo do sistema.

Com o crescimento do projeto, outros atores começam a entrar em cena. No final de 2011, por exemplo, foi criado a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que administra 30 hospitais universitários pelo país.

A ideia de Brasília é que, sendo administrados por uma empresa, e não universidades federais, os hospitais poderão adotar como mais facilidade práticas de gestão usadas no HCPA, que funciona como um hospital escola mas nunca foi vinculado à UFRGS em termos de gestão.

Hoje, os processos de implantação do AGHU são realizados tanto por equipes vinculadas ao HCPA como à Ebserh.