Fábio Gaia.

Fabio Gaia, ex-CEO da distribuidora Officer, acaba de assumir o cargo de vice presidente de TI da distribuidora Golden.

A informação é de fontes de mercado e foi confirmada pela reportagem do Baguete.

No começo de 2016, Gaia havia assumido o cargo de CEO da Atma IT, integradora de soluções de e-commerce para o segmento corporativo que foi investida pelo seu fundo, o Carauna Participações.

Mas o executivo é mais conhecido por ter liderado por quase três décadas a Officer, então uma das maiores distribuidoras de TI do país.

Gaia deixou a empresa no final de 2013, assim como o VP Mariano Gordinho, em meio a uma reformulação geral. Para aquele ano, a previsão de faturamento era de R$ 1,8 bilhão.

Vista hoje, a movimentação parece uma preparação para a crise que se avizinhava no mercado de distribuição de TI, que teve na Officer uma das maiores vítimas.

Em 2014 a empresa entrou no vermelho e pediu concordata em outubro de 2015, com uma dívida de R$ 148,3 milhões no final do primeiro semestre e um prejuízo acumulado de R$ 21 milhões no período.

A Ideiasnet, fundo que controla a Officer, atribuiu a situação na época à crise econômica e ao consequente atraso nos pagamentos por parte dos clientes.

Em julho de 2016, a empresa fechou um acordo com os credores e reestruturou sua dívida. A meta de faturamento foi estabelecida em R$ 200 milhões, uma sombra do passado.

A chegada de Gaia cacifa a operação da Golden, uma distribuidora ativa desde os anos 90, com atuação em papel, informática e telecomunicações.

A empresa tem 250 funcionários e 8 mil clientes ativos no último trimestre, além de unidades em São Paulo, Osasco, Serra e Extrema.

A situação do mercado como um todo, no entanto, é muito diferente do que era antes da crise econômica.

A Golden é mais uma empresa brasileira de médio porte em um mercado hoje dominado por grandes distribuidoras multinacionais como Arrow, ScanSource e Westcon, que aproveitaram os anos ruins para comprar as grandes concorrentes nacionais no segmento e solidificar sua situação.

Essas empresas tem o capital para navegar o ciclo de baixa do setor. De acordo com dados da Associação Brasileira dos Distribuidores de Tecnologia da Informação (Abradisti), o segmento fechou o ano de 2015 com uma queda de faturamento de 8%. 

No ano anterior já havia acontecido uma queda de 5%. Desde então a Abradisti não voltou a publicar esses dados, no que pode ser interpretado como uma indicação de que não houve melhoria.