Depois de 22 trimestres, situação da IBM parece melhorar. Foto: Pixabay.

A IBM começou a ver uma luz no fim do túnel (talvez) no último trimestre de 2017, fechando o período com aumento da receita frente ao mesmo período do ano anterior pela primeira vez depois de 22 divulgações de resultados consecutivas registrando quedas (cinco anos e meio, no total).

As receitas foram de US$ 22,54 bilhões, uma alta de 3,5%, beneficiada pela depreciação do dólar (em moeda constante, o crescimento teria sido de 1%) e por vendas de, vejam só, uma nova linha de mainframes Z, que causaram um pico de vendas de 71%, o que não deve se repetir.

É possível dizer que a IBM está dando a volta por cima? Mais ou menos.

Primeiro, porque a empresa ainda está muito longe de ser o que era, não falando nem da época dourada nos anos 70, mas de um passado mais recente.

Mesmo assim, as vendas totais no ano caíram 1% para US$ 79,14 bilhões, no que é o pior resultado da IBM desde 1997, quando as vendas foram de US$ 78,51 bilhões (isso em valores constantes: se fosse corrigida pela inflação americana no período, a receita da IBM teria que ser de US$ 120 bilhões).

A divisão de hardware, no qual as vendas do mainframe Z fizeram a diferença, representa apenas 10,3% das vendas totais da IBM.

A maior divisão, de serviços e tecnologia e cloud, caiu 3% no ano, US$ 34,28 bilhões, enquanto outras serviços globais de tecnologia e soluções cognitiva ficaram na mesma.

Mais importante ainda, é difícil saber qual é o desempenho dos chamados “imperativos estratégicos”, tecnologias quentes com margens altas como serviços cloud, inteligência artificial, segurança, blockchain e computação quântica, que devem ser os vetores da IBM no futuro, no lugar de hardware e serviços, nos quais as possibilidades de lucros são menores.

De acordo com a IBM, os imperativos estratégicos tiveram aumento de vendas de 11%, chegando a representar 46% do total (a meta era 40% até 2018, o que mostraria que o plano já está adiantado).

No entanto, os tais imperativos estratégicos estão espalhados por diversas divisões, o que faz que os números sejam abertos a interpretações.

Um exemplo apontado pelo ZDNet é a divisão de hardware, onde estão mainframes e storage, teve vendas de US$ 3,3 bilhões no último trimestre, dos quais US$ 2,1 bilhões foram contabilizados como vendas de imperativos estratégicos e US$ 1,7 bilhão como vendas de nuvem.

“Quando a IBM conta vantagem sobre o seu sucesso na nuvem, alguém pensa em mainframes e storage?”, questiona o site americano, lembrando que ainda assim os ganhos nas novas áreas ainda não são grandes o suficiente para compensar as perdas nas linhas de negócios tradicionais.

A área de soluções cognitivas, que inclui a badalada plataforma de inteligência artificial Watson, também teve um desempenho fraco, na faixa dos 3%, chegando a US$ 5,4 bilhões no último trimestre.

Na avaliação do ZDNet, a IBM está mesmo em maus lençóis, sofrendo para competir com empresas como Amazon, Google, Facebook e Apple, ao mesmo tempo em que foi ultrapassada em faturamento pela Microsoft.

Apesar de ainda ser maior em faturamento do que rivais tradicionais, como Cisco, Oracle e Dell, a IBM vem numa trajetória de queda desde 2011, enquanto essas empresas têm mantido suas receitas estáveis.