Maria Luiza Falsarella Malvezzi. Foto: divulgação.

Médicos e enfermeiros do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) já podem preencher e acompanhar dados de prontuário eletrônico, como sinais vitais do paciente, prescrições, evolução de histórico, entre outros, à beira do leito, sem precisar se deslocar até um terminal de computador.

A praticidade é mérito do Prontuário Eletrônico do Paciente Móvel (PEP Móvel), fruto de uma parceria entre a TI do hospital e a porto-alegrense DBServer, que atuou junto aos colaboradores da instituição na transmissão de conhecimento e criação da tecnologia em plataforma aberta e linguagem Java, que está disponível para smartphones e tablets com iOS e Android.

Por hora, o hospital não provê os equipamentos: o profissional que tem seu dispositivo recebe uma liberação da TI e acessa o menu do PEP Móvel.

Dos cerca de 1 mil médicos do HCPA, em torno de 100 fazem uso do sistema mobile frequentemente, número que sobe quando se soma os enfermeiros e, conforme a CIO do hospital, Maria Luiza Falsarella Malvezzi, tende a aumentar ainda mais, já que está nos planos incluir os técnicos de enfermagem também entre os usuários da ferramenta.

Para tanto, a instituição estuda possibilidades como a locação de equipamentos, embora isso ainda seja uma ideia embrionária.

Outras metas para o PEP Móvel devem caminhar mais rápido.

Segundo Luiza, hoje nem todas as funções do PEP tradicional estão disponíveis na versão mobile, e o plano é chegar lá.

“Hoje o médico ou enfermeiro pode, por exemplo, consultar as prescrições de medicação já feitas, mas não pode prescrever via dispositivo móvel. O mesmo ocorre com exames: é possível ver os que foram feitos, mas não solicitar novos. Trabalhamos para implantar estes recursos na versão mobile”, comenta a CIO.

Os planos vão além: a equipe de Luiza projeta, no futuro, permitir que dispositivos móveis façam a leitura, por código de barras, da pulseira dos pacientes.

Com isso, erros de medicação serão reduzidos, já que o enfermeiro não precisará anotar, como acontece atualmente, as doses já ministradas e a ministrar, entre outras informações referentes.

Hoje, a leitura de código de barras já é utilizada no HCPA, em procedimentos como a farmácia do hospital, que se baseia nesta tecnologia para liberação de medicamentos.

O melhor do PEP Móvel é que, seguindo a tendência do ERP usado no hospital portoalegrense, que foi desenvolvido internamente e liberado para uso por todos os mais de 46 hospitais universitários do país, pode ser implementado por qualquer destas instituições, gratuitamente.

Claro que para isso o hospital já precisa ter um prontuário eletrônico consolidado e recursos de rede.

“É uma realidade difícil a de muitos hospitais universitários, como se sabe, mas à medida em que as instituições forem conquistando melhorias, acesso WiFi, entre outras, a plataforma do PEP Móvel estará disponível para todos”, comenta Luiza.