NOVO NORMAL, DE NOVO

Dez dicas para a rotina de trabalho híbrida

22/07/2021 08:29

Vacinação avança, permitindo um retorno aos escritórios. Como organizar isso?

Martha Didier, porta-voz de RH e customer success da Witseed. Foto: divulgação

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As primeiras notícias sobre o sucesso da vacinação em massa no Brasil e no mundo já sinalizam às lideranças sobre a necessidade de organizar o futuro do ambiente de trabalho. 

Após quase dois anos funcionando no modelo remoto, uma experiência que impactou empresas em todo o mundo, chegou a hora dos gestores entenderem que não estamos voltando ao escritório, estamos avançando para uma nova cultura de trabalho híbrida que precisa estar acompanhada de novas estratégias de gestão e engajamento.

O consultor Josh Bersin, uma das referências em consultoria de RH, revela em sua pesquisa global que nos países onde as campanhas de vacinação estão mais avançadas, o modelo híbrido já é majoritário e tem gerado enorme satisfação.

No Brasil, 43% das empresas já escolheram o modelo híbrido como principal formato, segundo levantamento realizado pelo Google em maio de 2021.

Números que são fundamentais e, mais do que isso, verdadeiros alertas porque, por mais que a flexibilidade do modelo híbrido seja positiva para todos, há a necessidade de uma avaliação cuidadosa sobre o número de dias que os funcionários desejam trabalhar no modelo presencial.

E isso, claro, varia bastante, o que pode levantar uma série de questões.

Sobre essa questão entendo ser preciso flexibilizar e dar mais autonomia aos funcionários para trabalharem da maneira que funciona melhor para eles. Afinal, sabemos que se os colaboradores estão felizes, a empresa, como um todo, ganha. 

Na Witseed, por exemplo, mais de 90% dos colaboradores se mostram confortáveis em trabalhar em casa, mas consideram imprescindível a promoção de algumas atividades presenciais. 

Acreditamos que a adoção, em definitivo, do modelo híbrido, os escritórios serão ambientes de colaboração, integração, trocas e momentos de convívio que não são possíveis virtualmente.

Ainda assim é fato que a experiência no escritório precisa ser melhorada. Costumo destacar que o trabalho remoto está longe de ser a invenção da década, mas a necessidade de adaptação ao isolamento social fez com que se tornasse uma nova realidade. 

Apesar de alguns problemas, há vantagens muito atrativas como: economia de tempo no trajeto, que pode ser utilizado para atividades que geram valor para cada pessoa, como a prática de esportes, novos cursos, encontro com amigos, cuidados com a saúde e atividades em família.

Se a flexibilidade e o aumento da produtividade quebraram estigmas e transformaram a lógica do trabalho, o possível crescimento exponencial de produtividade segue como um chamariz para as empresas que ambicionam a inovação constante.

Portanto, muitos me questionam sobre o que deve ser feito para a adaptação de uma companhia a um modelo equilibrado de trabalho e adaptado aos tempos atuais. 

Trago abaixo algumas orientações com base no estudo publicado por Josh Bersin, um dos mais importantes consultores de RH do mundo. Ele listou dez insights fundamentais para ajudar os líderes e as seções de RH na tomada de decisões.

1 - O trabalho híbrido é bom para os negócios

Colaboradores satisfeitos e realizados são fundamentais para o sucesso de um negócio, então mais do que hibridismo, a personalização veio para ficar.

Sim, também precisamos nos encontrar cara a cara para reuniões de design, visitas de vendas e por necessidades emocionais também, portanto, dar às pessoas um “lugar para ir” fará sempre sentido.

De acordo com a publicação de Josh Bersin, todas as empresas que adotaram o modelo híbrido foram avaliadas com resultados positivos. A Ford Motor Company, por exemplo, uma das empresas mais antigas e tradicionais do mundo, adota com entusiasmo o trabalho flexível – e os funcionários adoram. Esse é o caso também da Ford, Microsoft e Google, entre outras.

No Brasil, pesquisas apontam que os jovens são os que mais sugerem o modelo híbrido no pós-pandemia, com 76% de adesão entre 18 e 21 anos, e 54% entre 22 e 37 anos (Google Workspace).

2 - Considere todas as dimensões do híbrido

O trabalho híbrido significa mais do que permitir trabalhar em casa. É fundamental considerar algumas dimensões para que o modelo funcione, como: localização, horário (fuso), tempo de trabalho, ferramentas, normas necessárias, diversidade, inclusão e muito mais.

Nossa recomendação é transformar a empresa em ambidestra. Empresas com este tipo de cultura buscam o equilíbrio entre a excelência operacional e a busca por inovação constante. Inovar exige investimento em aprendizagem, tempo e tolerância ao erro, mas a vantagem competitiva é avassaladora.

3 - A experiência para o funcionário no escritório precisa ser ainda melhor.

O estigma do trabalho remoto foi quebrado e agora o escritório compete com a lógica do trabalho no conforto do lar.

Ainda assim, 90% dos funcionários sentem falta de algum aspecto de seu local de trabalho, mas o número de dias que desejam passar no escritório varia muito, o que pode criar uma dor de cabeça de programação para os líderes que tentam acomodar suas equipes.

Um estudo da PwC mostra que 28% dos funcionários desejam trabalhar remotamente cinco dias por semana, 35% preferem dois ou três dias e apenas 8% ainda querem estar no escritório em tempo integral.

Dito isso, um dos pontos de atenção mais importantes é justamente o investimento na qualidade da experiência do seu funcionário no escritório, como infraestrutura e bem estar, para tornar o trabalho melhor e mais atraente.

Um estudo feito pela IDC Brasil mostrou as principais vantagens e desvantagens do trabalho remoto na visão do brasileiro . O café com colegas (50%) e as reuniões presenciais (44%) estão entre as atividades que os colaboradores mais sentem falta. Já a economia de tempo com deslocamento foi considerada o principal benefício (67%).

4 - Mantenha o foco na cultura

Falar de cultura é sempre muito importante, mas no contexto do modelo híbrido é indispensável, já que a cultura é criada por meio de práticas de trabalho, comportamentos de gerenciamento, sistemas de recompensa e flexibilidade oferecida.

É importante ter essas discussões, para que as pessoas saibam o que é esperado delas e o que não é permitido.

Ainda segundo a pesquisa da IDC Brasil, é possível perceber uma discrepância entre as empresas que já mantinham uma cultura forte mesmo antes da pandemia, e as empresas que não. 

Segundo o estudo, 75% das empresas brasileiras que já possuem a cultura no radar das prioridades afirmaram que foi fácil manter a conexão entre equipes e demais áreas da empresa, contra 60% de empresas que não possuem esse hábito.

Há muitos casos de empresas que se conectam e se tornaram mais colaborativas durante a pandemia, mas conforme retornaram para o escritório, isso se perdeu.

Enquanto líder de RH, você deve estar atento a isso: Não estamos “voltando” para o escritório, estamos “avançando” para uma nova cultura de trabalho híbrida. A rede de apoio construída entre os colaboradores é o que tornará a sua corporação mais forte diante das demandas desafiadoras do mercado.

Considere realizar um treinamento, como se fosse um onboarding para a cultura de trabalho híbrido aos integrantes e lembre-se das pessoas que entraram durante a pandemia, ao voltarem ao escritório precisarão ser integradas a esse novo ambiente físico.

E, no caso de muitas empresas que reformularam seus escritórios para torná-lo mais colaborativo, essa reintegração é para todos os funcionários.

Outro ponto que será um dos maiores desafios no modelo híbrido é a comunicação. Os líderes precisarão estar atentos para incluir e tornar o conhecimento acessível a todos, seja o time que está no remoto ou presencial.

Também deve se atentar ao tomar decisões que envolvam o time, com a presença de todos, ou seja, no digital. E, o próprio gestor, ser exemplo de gestão e trabalho remoto.

Caso o gestor passe a privilegiar, mesmo que sutilmente, as pessoas que estão no presencial, o modelo híbrido deixa de ser a cultura da empresa, pois cultura é o que é valorizado pela liderança na prática.

5 - Estabeleça uma plataforma de escuta

Josh Bersin sugere que “entre todas as práticas que estudamos durante a pandemia, ouvir o funcionário surgiu como a mais impactante e mais importante para o futuro do trabalho”, O modelo híbrido é uma experiência nova, que ainda sofrerá muitas mudanças, as pessoas constantemente trarão novas ideias, questões e sugestões. É importante criar canais para ouvir e entrevistar as pessoas regularmente e estar aberto a transformações.

6 - Ofereça plataformas colaborativas de aprendizagem contínua

Gigantes do mercado Tech, como Zoom, Microsoft e Google, estão investindo milhões de dólares em ferramentas para reuniões remotas, gestão de conhecimento, local de trabalho seguro e bem-estar. 

Olhar para todas essas possibilidades e entender o que funciona para o seu negócio, pode ser uma estratégia genial. De acordo com o último Relatório de Bem-Estar do Funcionário da Glint (maio 2021), as oportunidades de aprender, crescer e colaborar são consideradas os principais impulsionadores de uma excelente cultura de trabalho. 

7 - Integre o trabalho híbrido ao programa de bem-estar e autodesenvolvimento

A sua equipe deve estar preparada para incluir programas de bem-estar no trabalho híbrido, promovendo benefícios de saúde mental e treinamentos.

O trabalho híbrido pode ser ótimo para muitas pessoas, mas também introduz novas pressões sobre os funcionários, por isso é importante se perguntar: “Quais benefícios de bem-estar e autodesenvolvimento a minha empresa pode oferecer para o meu colaborador?” 

Diante da demanda de agendas seguidas e exaustivas de reunião de trabalho no modelo remoto, a empresa que colocar como compromisso ações de cuidado, seja com a carreira ou saúde do colaborador, explicitará que é valor para empresa o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Essa foi uma iniciativa realizada pelo IFood na pandemia, chamada de “Quartas feiras de desenvolvimento”, uma das atividades na qual a agenda dos colaboradores é bloqueada por um período para que possam se concentrar em estudar, ler um livro, fazer um curso, qualquer atividade que promova seu desenvolvimento.

8 - Traga a liderança para a conversa

Essa é para os CEOs: uma nova pesquisa da Glint mostra que os gerentes estão entre as pessoas mais estressadas em sua empresa! Eles não deveriam apenas concordar com sua estratégia híbrida, mas também ter certeza de que isso tornaria suas vidas mais fáceis.  

Se os líderes não confiarem ou não acreditarem no seu programa de trabalho híbrido , ele não funcionará de forma alguma.

A gestão remota ainda é sobre gestão de pessoas. A distância não pode impedir a integração, o acolhimento, a escuta e a troca dentro das empresas.

 

- Estabeleça regras e canais de comunicação para reuniões e respostas rápidas.

- Crie espaços de colaboração e reserve horários para trocas espontâneas.

- Desenvolva eventos quinzenais para troca de conhecimento entre todas as áreas.

- Utilize boas ferramentas, não vale economizar.

 

9 - Duplique a segurança de TI

Em tempos de trabalho remoto e híbrido, a equipe de segurança de TI deve examinar sua política e decidir se as informações de localização, segurança VPN ou novas políticas de senha são necessárias.

Sabemos que no Brasil, os ataques cibernéticos cresceram 860% e o custo médio de uma invasão também aumentou para US$3,92 milhões, portanto, redobre os seus cuidados e certifique-se de comunicar as políticas de privacidade e proteção de dados de sua empresa.

10 - Confie e experimente novas ideias

Por fim, sabemos que só estamos no começo da transformação digital no trabalho, por isso mantenha a mente aberta para novas ideias! Muitas empresas já estão usando o treinamento em realidade virtual para substituir as reuniões fly-in.

As organizações estão oferecendo benefícios adicionais de saúde e educação para ajudar as mulheres a voltarem ao trabalho. Os gerentes estão tendo reuniões ponto a ponto para ver o que está funcionando.

Já estamos no futuro e o trabalho remoto acabou de vez com o modelo de liderança de comando e controle, a tendência é um modelo baseado em confiança e resultados, não mais em autoridade e tempo.

A confiança é a base de qualquer relação de longo prazo e como bem disse Steve Jobs, “Não faz sentido contratar pessoas inteligentes e dizer a elas o que devem fazer”.

Dê autonomia ao seu time, seja claro nas comunicações e feedbacks, seja transparente sobre possibilidades de crescimento e eles saberão como fazer o trabalho.

Dados da Harvard Business Review mostram que relações de confiança nos negócios geram: 74% menos estresse, 106% mais energia no trabalho, 76% mais engajamento, 40% menos burnout e 50% mais produtividade.

*Por Martha Didier, porta-voz de RH e customer success da Witseed.

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