Meg Whitman.

Meg Whitman deixará o cargo de CEO da HPE em fevereiro do ano que vem, quando será substituída por Antonio Neri, um executivo de carreira de formação técnica com 25 anos de casa.

A saída de Whitman foi divulgada nesta terça-feira, 21, e encerra uma passagem de seis anos para lá de movimentada da executiva, uma das mulheres mais reconhecidas do setor de TI.

Durante o período, Meg presidiu uma das maiores separações entre empresas da história, dividindo a HP em duas: a HP Inc, dona do negócio de impressoras e PCs e a HPE, com a parte de servidores, data centers e outras tecnologias.

À frente da nova HPE, a executiva cortou na carne visando enxugar a companhia e recuperar a rentabilidade, vendeu e fez spin off de áreas como a serviços de TI e terceirização (fundidas com a CSC, criando a DXC) e software (vendida para a MicroFocus), além de iniciar recentemente uma onda de demissões que deve atingir 10% da força total de trabalho.

A empresa também jogou na ofensiva, mas com menor intensidade, levando a empresa de armazenamento flash Nimble Storage por cerca de US$ 1 bilhão.

Analistas ouvidos pelo The Register consideram que a saída de Meg parece menos conturbada do que as movimentações no tempo da HP, mas mesmo assim é difícil prever o futuro da HPE.

O faturamento no último trimestre do ano fiscal 2017 cresceu 4,6%, para US$ 7,7 bilhões, mas o ano fechou com queda de 4,7%, para US$ 28,9 bilhões.

O perfil do sucessor é totalmente oposto ao de Meg Whitman, uma executiva de carreira com passagem por empresas como eBay, Procter & Gamble e Disney (em fevereiro, Meg foi cotada para assumir o Uber).

Com uma fortuna pessoal estimada em US$ 3 bilhões, Meg é uma pessoa com grande perfil público nos Estados Unidos, onde chegou a concorrer ao governo da Califórnia pelo partido Republicano, gastando uma pequena fortuna no processo.

Neri tem 50 anos, metade os quais passados na HP, onde iniciou como engenheiro na área de serviços ao cliente, passando desde então por sete cargos executivos, incluindo nos últimos anos um de VP na HPE, além de gerente geral do negócio de servidores e networking na ainda HP.

Depois do anúncio, as ações da HPE caíram 6%.

“O próximo CEO precisa entender profundamente de tecnologia. A HPE não mudou de planos. Acredito que Antonio está pronto para tomar as rédeas para o longo prazo”, afirmou Meg em conferência com investidores.