Sílvio Santos. Foto: Divulgação SBT.

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O SBT sofreu um vazamento de dados relativos aos seus funcionários.

A informação é de uma carta enviada pela emissora aos colaboradores, à qual o site TV Pop teve acesso.

Segundo revela o site especializado na cobertura do mercado televisivo, o SBT está informando seus funcionários por meio de um comunicado enviado por Sedex, com aviso de recebimento.

Até onde o Baguete tem notícia, é um procedimento inédito (a maioria das empresas tem preferido enviar um email, ou usar outras formas de comunicação mais imediatas), que parece mais destinado a colher uma prova de que os colaboradores foram avisados do que outra coisa.

As informações da carta são vagas. O SBT afirma que foi informado em setembro pelo “prestador de serviço sobre um incidente de segurança ocorrido em seus domínios”, envolvendo o vazamento de informações de identificação de “colaboradores, agregados e dependentes”.

A lista de dados vazados inclui  CPF, data de nascimento, endereço, e, talvez o mais importante de tudo, “outros dados necessários para a gestão de benefícios por parte do prestador de serviço”.

Pelo tipo de dados e a descrição do fornecedor por parte do SBT, parece se tratar de dados relativos à folha de pagamento da emissora, a segunda maior do país. 

A carta não permite inferir quantos dos 6 mil funcionários da emissora foram afetados, ou porque o SBT decidiu fazer a comunicação dois meses depois de ser informado pelo seu fornecedor.

“Estamos entrando em contato para informar que as causas que originaram o incidente foram corrigidas, além de esclarecer as circunstâncias do ocorrido e o que estamos fazendo para a proteção dos seus dados”, diz a carta, que divulga um telefone 0800 e um email para os empregados que quiserem mais detalhes. 

O TV Pop revela que depois do vazamento o SBT montou departamento para assegurar a proteção de dados sensíveis a partir de agora. 

O setor, batizado de DPO, sigla para Data Protection Officer, está chegando um pouco tarde: as punições para esse tipo de vazamentos previstos pela LGPD, promulgada em 2018, entraram em vigor em agosto, podendo chegar até R$ 50 milhões.

O SBT disputa o segundo lugar no mercado brasileiro de televisão com a Record, ambos distantes da Globo.

Segundo o ranking das marcas mais valiosas do país de 2020 da Kantar (empresa dona do Ibope), a Globo vale US$ 3,29 bilhões, 10 vezes mais do que o SBT, que na edição de 2019 do mesmo estudo foi avaliado em US$ 338 milhões.

Mas a fotografia do momento não mostra a tendência dos últimos anos, nos quais a Globo tem perdido valor (em 2017, ela valia US$ 4,1 bilhões), enquanto passa por uma complicada eestruturação financeira, com demissões de funcionários, não renovação de contratos de artistas e corte de custos de produção.  

A Globo está apostando em ser um negócio intensivo em tecnologia, uma “mediatech”, apta a competir com gigantes como a Netflix. Ainda neste ano, a empresa fechou um grande contrato com o Google Cloud.

O SBT, enquanto isso, aposta na maneira tradicional de fazer as coisas e no tino (ou na interferência, dependendo de como se olhe) do seu fundador, o já octogenário Sílvio Santos.

A emissora trouxe de volta o Show do Milhão, um sucesso do começo dos anos 2000, e tem comprado diretos de transmissão de futebol a rodo, entrando no campo que era exclusivo da Globo.

Neste ano, o SBT já adquiriu torneios como Libertadores da América, Champions League, Supercopa da Uefa, Europa League e Copa América.