Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), em Brasília. Foto: Iano Andrade-PR.

A empresa alemã de engenharia e serviços Bilfinger está investigando se empregados de uma subsidiária pagaram propina a funcionários públicos no Brasil para atuar na Copa do Mundo.

A auditoria, comandada por profissionais da Ernst & Young, da Deloitte e de uma empresa de advocacia brasileira, começou no ano passado e investiga contratos de cerca de € 6 milhões para equipar centros de controles de segurança em diversas cidades brasileiras.

Os alemães querem esclarecer se propinas foram pagas por empregados da afiliada Mauell a funcionários públicos e membros de companhias estatais, de acordo com a Reuters.

"As suspeitas estão substanciadas. A investigação, no entanto, ainda não está completa", disse a Bilfinger, acrescentando que acionaria a Justiça se essas alegações forem confirmadas.

Pedidos desse tamanho, segundo a empresa, não são feitos pelo conselho-executivo do grupo. 

A Bilfinger emitiu esse comunicado depois que o jornal alemão Bild am Sonntag publicou que a Mauell havia pago propinas superiores a € 20 milhões para obter os contratos.

Antes da Copa, foram criados 15 Centros Integrados de Comando e Controle (CICCs): 12 regionais, um em cada cidade-sede do Mundial; dois nacionais, um em Brasília e outro no Rio de Janeiro, e um Centro de Cooperação Policial Internacional. As estruturas operaram durante 24 horas por dia no período do Mundial.

O investimento em equipamentos foi de R$ 1,113 bilhão. De acordo com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, R$ 900 milhões desse total foram destinados para os estádios; o restante, para as forças de segurança. 

Ele afirmou, em julho de 2014, que o governo federal economizou 43% na aquisição dos CICCs. 

“Foi uma redução pela licitação que fizemos. Usamos esse dinheiro para comprar mais equipamentos”, explicou o ministro.

Em Porto Alegre, o projeto que contou com a participação da Mauell possibilitou a integração com 13 órgãos municipais e reprodução das imagens das cerca de 300 câmeras de videomonitoramento.

Já o Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), localizado na sede do Departamento de Polícia Rodoviária Federal, em Brasília, tem 438 m², com 56 monitores integrados e 300 profissionais.

Dos R$ 27,7 milhões investidos na estrutura física do CICCN, R$ 10,4 milhões foram aplicados na construção da sala-cofre, concebida para garantir a proteção dos sistemas e das informações dos equipamentos de informática. 

Esse não é o primeiro caso de empresa alemã investigando casos de propina para contratos no Brasil. O ex-presidente da Siemens no Brasil, Adilson Primo, foi afastado do cargo em 2011, quando a companhia alemã informou que, por meio de uma investigação interna, foi descoberta uma grave contravenção das diretivas da Siemens na sede nacional, ocorrida antes de 2007.

Nos anos de 2006 e 2007, a Siemens enfrentou um escândalo mundial por pagamento de propina para a obtenção de contrato em diversos países.