Big Data ainda é ficção científica, como o Data do Star Trek. Foto: flickr.com/photos/jdhancock

Aparentemente podemos desconsiderar um pouco de tudo nos contaram sobre adoção de big data até o momento. 

Um estudo realizado pela empresa de business analytics Lavastorm acaba de pintar um quadro diferente sobre o tema, na qual a principal constatação é que ainda não há uma aposta de negócios clara quanto ao conceito.  

O levantamento junto a 500 profissionais que atuam como cientistas de dados [um cargo pouco visto no Brasil cuja mera existência já indica um certo avanço em relação ao assunto]revelou que aproximadamente 73% das organizações não utilizam big data para decisões de negócio. 

O lado bom da pesquisa mostra que os investimentos em tecnologias que compõem a oferta de big data cresceram 65% ao longo do ultimo ano.

Com os números em mãos, os especialistas da Lavastorm concluíram que a maior parte das empresas a ainda enxerga o tema como um experimento científico ao invés de uma ferramenta para tomar decisões críticas de negócio.

Esse não é a primeira análise que chega a esse tipo de conclusão. Um levantamento do Gartner conduzido no ano passado indicou que apenas 30% das empresas entrevistadas utilizam algum tipo de tecnologia que remete ao conceito. 

Vale lembrar que especialistas da empresa de análise apontam que o conceito tende a sumir em um intervalo de dois anos, passando a se chamar apenas “dados”. 

Isso ocorreria a medida que o termo seja incorporado à oferta de grandes provedores de tecnologia de maneira mais efetiva. Nesse mesmo intervalo de tempo, ainda, a indústria deve passar por um período de consolidação.

É interessante observar o andamento dessas tecnologias a partir do cruzamento de informações de pesquisas divulgados pela indústria. 

Fazendo isso, percebe-se certo desencontro nas conclusões, provalvelmente motivado por escopos mais ou menos limitados para enquadrar uma iniciativa dentro do conceito de Big Data.

Há um levantamento bastante recente divulgado pela Dell indicando que 41% das empresas com entre 2 mil e 5 mil funcionários possuem projetos relacionados ao tema. O mesmo estudo projeta que 55% das empresas mundo a fora vão partir em uma iniciativa desse tipo no curto prazo.

Outra que deu seus palpites foi a Tata Consultancy Services (TCS), verificando números um tanto diferentes dos apontados por seus concorrentes.

De acordo com a indiana, aproximadamente 15% das empresas que investiram em projetos de big data gastaram algo como US$ 100 milhões, anualmente, em seus projetos; enquanto cerca de 7% aplicou uma quantia da ordem de US$ 500 milhões. 

Um quarto dos entrevistados indicou aplicação mais modesta de recursos para essa finalidade: US$ 2,5 milhões.

Seja como for, tanto os números da Dell quanto os da TCS revelam um conceito em estágio de entrada em grandes organizações. 

No Brasil, analistas indicam as verticais de telecom, varejo e finanças como as primeiras a partirem para adoção de ferramentas de big data.

O surgimento desse mercado e o anseio para alavancar projetos parece ter gerado uma esquizofrenia no tratamento dos números que compõem a projeção. Olhando isso com um pouco de cautela, uma das conclusões que dá para tirar é que:

1) ou números estão sendo inflados;

2) ou há uma dificuldade conceitual sobre quais tecnologias compõem o tema para fazer uma medição mais precisa;

3) ou as pesquisas foram encomendadas junto ao Ipea – que fez aquela lambança em um estudo sobre violência contra mulher no Brasil há alguns meses.

Apesar desse desencontro, a expectativa em torno do crescimento na adoção de big data é bastante alta. 

A IDC projeta que esse mercado atinja algo próximo a US$ 2 bilhões na América Latina até 2017, sendo que o Brasil deve responder por metade dessa cifra. O número local bate com a previsão feita pela Frost & Sullivan.

Conversas com esses analistas de mercado indicam que o cenário se assemelha bastante ao contexto descrito pela pesquisa da Lavastorm, de muita experimentação e pouca utilização.

O momento, dizem, é de provas de conceito e aplicações departamentais do contexto. Isso, contudo, deve mudar nos próximos anos a partir da elevação dos estágios de maturidade tecnológica, o que torna interessante pelo menos começar a aprofundar conhecimento e avaliar projetos de adoção.