O governo federal suspendeu a abertura de vagas para o Ciência sem Fronteiras. Foto: kryzhov/Shutterstock.

O governo federal admitiu na terça-feira, 22, que suspendeu a abertura de vagas para o Ciência sem Fronteiras por tempo indeterminado. As bolsas dos 35 mil alunos que estão no exterior atualmente serão mantidas.

A declaração foi feita durante sabatina no Comitê para os Direitos das Crianças da Organização das Nações Unidas (ONU) e noticiada pelo Estadão.

"O programa não foi cancelado. Ele apenas não abriu neste momento novas vagas. Isso vai acontecer tão logo a situação financeira melhore", declarou o assessor especial do Ministério da Educação (MEC), Alexey Dodsworth Magnavita de Carvalho. 

Em nota, o MEC afirmou que o governo federal está fazendo a revisão das metas de seus programas “considerando a realidade econômica do país".

Ao lado do Fies e do Pronatec (programas do governo que financiam cursos superiores e técnicos), o Ciência sem Fronteiras foi um dos mais afetados pelos cortes no orçamento neste ano.

Nos primeiros quatro anos, o Ciência sem Fronteiras consumiu R$ 6,4 bilhões. Com a alta do dólar, o valor pago para os estudantes se tornam maiores para o governo.

Até hoje, foram implementadas 87.364 bolsas do Ciência Sem Fronteiras. Dessas, 68.862 foram destinadas para alunos de graduação, que estudam dois semestres em faculdades do exterior.

A meta inicial do governo com a criação do programa era enviar 100 mil estudantes para outros países até 2015.

Quase 40 mil alunos beneficiados são da área de engenharia. Cerca de 15 mil estudam biologia, ciências biomédicas e da saúde. A terceira maior área de estudo dos beneficiados - que enviou 7,5 mil estudantes - é a indústria criativa, que inclui cursos como arquitetura e design.

A área de computação e TI é a quinta com maior número de bolsistas, com 5,5 mil alunos beneficiados.