Todo mundo quer o seu pedaço da nuvem. Foto: Pixabay.

A RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), responsável pelo backbone de telecomunicações usado por universidades e institutos de educação federais, quer se transformar em um intermediário de contratação de serviços de computação em nuvem, figura conhecida no mercado como ‘cloud broker”.

Segundo disse ao Convergência Digital o diretor de serviços e soluções da RNP, José Luiz Ribeiro Filho, o modelo de negócio está em desenvolvimento e terá parcerias com empresas como Amazon, Microsoft, Google, IBM,  Embratel, Vivo e Vert.

A RNP já tem dois dois datacenters com capacidade de processamento de 4 petabytes, montados em contêineres e doados pela fabricante chinesa Huawei, em 2014, atualmente localizados no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus, e no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco, em Recife.

Uma organização social ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, a RNP foi responsável pelo primeiro backbone para a chegada da Internet no Brasil, em 1991.

A organização tem uma rede de fibra óptica, recebida como contrapartida da Oi ao governo quando da autorização de compra da Brasil Telecom. Até 2020, a RNP vai migrar para fibras OPGW do setor elétrico. 

Além da conectividade, a RNP tem conhecimento técnico sobre orquestração de serviços em nuvem, estando no meio da pesquisa acadêmica sobre o assunto. 

Um exemplo é o projeto Necos, realizado por sete instituições brasileiras e quatro europeias, com verbas do Brasil e da União Europeia chegando a R$ 10 milhões.

A  iniciativa visa realizar um conjunto de avanços nas plataformas que gerenciam recursos virtualizados de computação, rede e armazenamento em diferentes infraestruturas. 

A RNP é mais uma entidade ligada ao governo querendo se tornar uma cloud broker.

Dataprev e Serpro, as duas principais estatais de processamento de dados em nível federal, estão fazendo uma movimentação similar. 

Os órgãos públicos poderiam colocar dados críticos nos data center das estatais e rodar outras aplicações na nuvem da parceria a preços mais competitivos.

De acordo com dados do Painel Gastos de TI do Ministério da Transparência, o Serpro é a empresa de TI que mais vende para o governo, com mais de R$ 1,2 bilhão no que vai de ano. A Dataprev é a segunda, com R$ 546,5 milhões. 

Já distante, a terceira é a Claro, com R$ 176,7 milhões.

Toda a movimentação acontece porque o governo como um todo está dando uma virada, começando a estar mais aberto a contratar serviços de computação em nuvem de fornecedores privados.

Em março, o Ministério do Planejamento divulgou estar preparando uma licitação para contratação de serviços de computação na nuvem no valor de R$ 16 milhões em nuvem coletiva para 40 órgãos federais.

O termo de referência justifica a licitação de nuvem “no atacado” de fornecedores privados citando a padronização tecnológica e a redução de custos por compra em escala.

No ano passado, a secretaria de Tecnologia da Informação, do Ministério do Planejamento já havia orientado os órgãos públicos a não investirem mais em infraestrutura própria, recomendando a contratação de computação em nuvem.

Empresas como Dataprev e Serpro estão por tanto se posicionando para seguir atendendo os clientes de governo e a RNP também, dentro do seu nicho.