Linx não fará joint-venture com Cielo. Foto: divulgação.

A Linx anunciou, em comunicado à imprensa no final da semana passada, que não levará adiante o acordo anunciado com a operadora de cartões Cielo, para a criação de uma joint-venture focada em soluções para varejistas de pequeno porte.

Segundo destacou a companhia brasileira, "não foi possível às partes chegarem a um entendimento mutuamente satisfatório em relação a pontos essenciais da transação". A joint-venture foi anunciada oficialmente em junho do ano passado.

O plano das duas companhias era o de criar uma solução única e integrada, que embarca automação comercial, software de gestão e plataforma de pagamentos eletrônicos para pequenas e médias empresas com estruturas de até cinco lojas.

Para a Linx, a parceria com a Cielo serviria como porta para uma nova categoria de clientes, que a partir das tecnologias de adquirência da Cielo também acessariam os produtos de gestão de varejo.

Em pesquisa realizada pela Cielo ao longo de 2013 com mais de 800 proprietários ou responsáveis pela gestão de estabelecimentos dos segmentos de alimentação e vestuário, concluiu-se que essa oferta apresenta um grande potencial, visto que 52% dos entrevistados não possuem automação comercial.

O estudo mostrou ainda que 50% desses lojistas fazem controles manuais (anotações em caderno), 30% utilizam planilhas eletrônicas e 6% não realizam nenhum tipo de controle. Além disso, cerca de 70% afirmam não ter um catálogo de produtos estruturado.

Outras desenvolvedoras de produtos de gestão também se movimentaram para aproveitar esta oportunidade. Um exemplo é o da SAP, que está determinada a aumentar sua presença no varejo e firmou um acordo com a Elavon, multinacional de máquinas de cartão com 1,2% de share no mercado brasileiro, que vai revender o software de gestão para pequenas e médias empresas Businesss One.

A parceria começa com 100 clientes e a meta de chegar a 2 mil até o final do ano. A Elavon tem 52 mil clientes no país e estima que 85% sejam potenciais clientes para a novidade, direcionada a um espectro amplo começando em um faturamento anual de R$ 20 mil e chegando até R$ 10 milhões.

Entretanto, resta saber o que as grandes marcas de pagamento, como Redecard e a própria Cielo pretendem fazer neste espectro. Donas dos maiores market shares no país, as duas companhias não tem soluções próprias de gestão, o que pode ser um diferencial para se manter à frente.

O mercado de adquiriência de cartões Brasil teve leve mudanças desde a quebra do duopólio Cielo e Redecard em 2010. A Elavon chegou em 2012 prometendo alcançar um share de 15% até 2015, o que não aconteceu (a meta foi adiada para 2020).

Outros players também estão aos poucos conquistando seu espaço. O Santander, que gastou R$ 1 bilhão para adquirir a processadora gaúcha GetNet, tinha, em 2014, 5,7% do mercado e a Vero, serviço de processamento do Banrisul, outros 1,4%.