NO BRASIL

Wikipédia quer universidades

24/05/2013 16:51

Enciclopedia virtual quer monquistar mais instituições para seu projeto, hoje adotado em 13 universidades brasileiras, incluindo UFRGS e UFPR.

Oona Castro. Foto: Divulgação

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A Wikipédia quer desfazer mitos e conquistar mais instituições de ensino brasileiras como integrantes de seu projeto, que hoje é adotado em 13 universidades do país, das quais duas são do Sul: UFPR e UFRGS.

O objetivo foi anunciado por Oona Castro, consultora no Brasil da Wikimedia Foundation, em palestra na quinta-feira, 23, na UFRGS, em Porto Alegre.

A amplificação do uso da enciclopédia virtual como ferramenta de ensino nas instituições é tarefa do Programa Wikipédia no Ensino, explica ela, que é jornalista graduada pela Faculdade Cásper Líbero e, antes de assumir o cargo no ano passado, foi diretora-executiva do instituto Overmundo.

Incumbida de liderar as metas wikipédicas no Brasil, ela vê o portal como uma oportunidade de reconstruir pontes que estavam desconectadas entre alunos e professores.

“Ainda há uma resistência muito grande de docentes e do meio acadêmico, principalmente quando o aluno domina e o professor se sente intimidado como autoridade. É preciso mostrar que eles podem usar a ferramenta a seu favor”, explica.

Por isso, uma das tarefas da organização é criar uma rede entre os professores para que mais projetos de utilização da enciclopédia digital em sala de aula sejam lançados.

Com mais de 25 milhões de artigos publicados em 285 idiomas (772 mil deles em português), a fonte é seguidamente apontada como inconfiável nas classes. Pressuposto que é considerado mito pela fundação.

“É preciso ter olhar crítico sobre qualquer fonte de informação”, argumenta.

A jornalista destaca que o conceito criado de que uma enciclopédia na web pode ser o “diabo na Terra” não é irrelevante.

“O receio é natural, pois as profissões que tinham o conhecimento como poder se sentem ameaçadas”, avalia.
Para exemplificar, Oona lembra que os jornalistas não têm mais a exclusividade da informação e os médicos escutam do paciente os diagnósticos que pesquisaram na internet.

“As atividades mudam quando uma tecnologia passa a fazer parte do processo. É preciso utilizá-la ao seu favor para potencializar o trabalho, não recusá-la. Quanto mais os professores se aproximarem, melhor poderão torná-la”, acredita.

Ano passado cogitava-se que a Wikipédia abriria um escritório no Brasil, o que até agora não se realizou porque a fundação pretende incubar o projeto, que a consultora chama de “catalizador”, à uma organização ainda não definida em São Paulo. A estruturação dos projetos e a missão de Oona têm um prazo até 2015.

NA ESCOLA E NA UNIVERSIDADE
Um exemplo mencionado pela jornalista é do colégio paulista I.L. Peretz, em que alunos do ensino médio editam e escrevem verbetes de obras literárias estudadas em sala de aula.

Jorge Makssoudian, professor responsável, tem a ajuda de representantes da Wikimedia Foundation para aplicar o projeto. A ideia é também adicionar um QR Code em cada livro da biblioteca que tiver seu verbete editado na ferramenta.

“Percebemos que o engajamento de alguns professores não é só para melhorar verbetes, é também uma missão pedagógica ou um interesse em descobrir que diabos é isso”.

Os professores da UFRGS Rafael Pezzi, da Física, e Fábio Azevedo, da Matemática, são modelos desta percepção.

Ambos aplicam atividades em sala de aula que envolvem o uso da Wikipédia e apresentaram as ideias para uma plateia composta por professores e estudantes (80% apontou que já fez alguma alteração na plataforma).

Wikipedista desde 2007, Azevedo iniciou um projeto sala de aula em 2012, na disciplina de Cálculo Numérico dos currículos de Engenharia em que propôs a edição e criação de verbetes. Entre as vantagens apontadas na utilização está a motivação do trabalho ganhar uma utilidade.

“Trabalhos tradicionais são efêmeros, tem curto prazo de vida entre o aluno escrever e o professor avaliar. Um verbete será útil para colegas e milhares de pessoas. Além disso, não é possível copiar da Wikipédia para ela mesmo”, ensina.

Para Azeredo, que é Embaixador de Campus, a Wikipédia tem uma barreira natural que impede o plágio. Apesar disso, a violação de direitos autoriais por parte de alguns alunos foi um das suas decepções ao final da disciplina.

O professor ressalta que o paradigma de que o conhecimento é produzido por cientistas e o resto é apenas usuário está obsoleto.

“Na Wikipédia, somos produtores e usuários. É papel da instituição de ensino despertar um espírito crítico em seus alunos para que verifiquem e desconfiem de qualquer fonte”, afirma, lembrando que livros também podem apresentar apenas um lado da história.

Azevedo estima que 10% da turma correspondeu a atividade optativa proposta, número declarado baixo, mas é otimista quanto ao uso da ferramenta na universidade. Foi ele que apresentou a proposta para o colega Pezzi, entusiasta do software livre e usuário da Wikipédia desde 2007.

A partir da experiência do Embaixador, o professor de Física nas graduações de Engenharia também convidou os estudantes a colaborarem com a enciclopédia. Para integrar os alunos, o docente contou com uma palestra de Azevedo e apoio online, esclarecendo especificações técnicas da interface.

A turma trabalhou nos verbetes termômetro, fluido supercrítico e interferência de ondas.

O resultado foi positivo, segundo ele: em uma turma de até 40 pessoas, 80% se engajou. “Cinco dos alunos pegaram gosto e se voluntariaram para auxiliarem outras classes”, comemora Pezzi.

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