Mark Hurd: esperar só mais um tantinho até agosto. Foto: divulgação.

Depois de quase dois anos de espera, a Oracle oficializou a data de abertura de seu data center no Brasil, que será sediado em Campinas e tem o início de suas operações previsto para agosto.

O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira, pelo CEO global da empresa, Mark Hurd, durante coletiva no Oracle Open World Latin America, realizado em São Paulo.

Segundo Hurd, o novo data center, décimo-nono da empresa ao redor do globo e o primeiro na América Latina, será instrumental para impulsionar a estratégia da companhia em ofertar seus produtos de software como serviço (SaaS) e plataforma como serviço (PaaS) no país.

"Este centro será um marco para a companhia no país e na região, plugando este mercado a um ecossistema global de centros de dados da companhia. Temos uma grande expectativa quanto a isto", afirmou Hurd.

Segundo o CEO, a oferta no novo data center será feita de forma gradual, com cerca de 11 soluções de SaaS sendo oferecidas inicialmente, com foco em gestão administrativa e finanças, e depois expandirá o portfólio.

"Teremos na sequência soluções em nuvem para supply chain e manufatura. Vamos trazer os produtos de forma modular, mas atendendo de forma abrangente todo o nosso catálogo de PaaS e SaaS", destacou.

A empresa não deu detalhes sobre a infraestrutura utilizada, não revelando possíveis parceiros ou provedores para o centro de dados, nem o investimento realizado para este novo ambiente.

"Nós preferimos não informar dados sobre nossas parcerias de data center ao redor do globo, mas garanto que toda a estrutura é baseada em tecnologias Oracle, com nossa segurança e especialistas dando o suporte", afirmou o CEO.

De acordo com Hurd, o novo data center acompanha a diretriz da empresa em escalar agressivamente sua receita de cloud, que teve uma receita de US$ 576 milhões no último trimestre fiscal, terminado em maio deste ano.

Este número ainda é minúsculo em relação a renda total da Oracle estagnou em aproximadamente US$ 9,3 bilhões, mas registrou um crescimento de 29% em SaaS e PaaS, assim como de 25% em IaaS (infraestrutura).

"Nosso plano é de ampliar cada vez mais nossa oferta em cloud e reforçar isso com um crescimento acentuado em geografias. Nossa expectativa é atingir 60% de crescimento em cloud no próximo ano fiscal", avaliou Hurd.

À parte dissso tudo, o que se sabe é que o anúncio veio para terminar com a expectativa criada pela companhia no final de 2013, quando prometeu o centro no país para o primeiro semestre de 2014, uma entrega que não ocorreu.

Durante o Oracle Open World 2014, em São Francisco, o presidente de operações da Oracle na América Latina, Luis Meisler, afirmou em entrevista ao Baguete que o data center ficaria pronto no início de 2015.

“São demorados os trâmites e processos pelos quais é preciso passar para estabelecer uma estrutura local dessas, com trâmites como importação ou setup de nuvem", explicou Meisler na época.

Entretanto, mesmo com o atraso, a Oracle deve bater a rival SAP na corrida dos data centers. Em setembro, a empresa alemã anunciou um investimento de R$ 19 milhões para contratar um data center no Brasil até o primeiro trimestre de 2015, focado inicialmente em oferecer o software de gestão de RH Success Factors - centro que ainda não chegou.

Na ocasião do anúncio, a presidente da SAP do Brasil, Cristina Palmaka, chegou a cutucar a Oracle, dizendo que a empresa tinha sido a “última a anunciar, mas seria a primeira a fazer”, enquanto outros tinham feito sua divulgação “no gerúndio”.

Com isso, a empresa entra na competição com diversos outros pesos pesados que também anunciaram centros de dados no país como IBM, Microsoft, Huawei, Dimension Data, VMware e Dell.

Entretanto, para Hurd, apesar do atraso, a Oracle não teme a concorrência, apostando tanto na oferta de suas soluções individuais como também em vender suítes com um mix de softwares como serviço.

Para ilustrar isso, a empresa anunciou para os próximos meses que o Brasil deve receber a oferta de ERP cloud da Oracle, um produto que a concorrente SAP ainda não possui no país.

"Onde está o ERP da SAP na nuvem? Nós não o vemos. Nossa concorrência é com empresas como Salesforce e Workday", disparou Hurd.