Igor Mascarenhas. Foto: divulgação.

Lançado em 2013 pelo governo federal como um fomentador-chave do empreendedorismo no Brasil, o programa Startup Brasil abriu duas turmas por ano (uma por semestre) desde o seu início. Entretanto, atrasos no cronograma devem deixar a iniciativa com apenas uma turma em 2015.

O atraso diz respeito à divulgação do edital de inscrição para a primeira turma de 2015 para startups interessadas em participar do programa, que ainda não saiu. Em 2013 e 2014, o edital do primeiro semestre foi divulgado no mês de maio. Em 2014, o edital do segundo semestre saiu em setembro.

Como o diabo mora nos detalhes, uma informação interessante vem do site do programa, que não é atualizado desde 2014 com informações sobre o programa. Por outro lado, a página de Facebook da iniciativa tem atualizações frequentes, mas não cita informações sobre o novo edital.

De acordo com Igor Mascarenhas, gerente de operações do Startup Brasil, o edital deve sair nas próximas semanas. Perguntado pela reportagem do Baguete durante o evento Startup Focus, realizado pela SAP em São Leopoldo, o gerente afirma que o programa segue dentro do planejado.

"Foi um atraso natural que tivemos em nossas operações, mas isso não quer dizer que o programa passa por dificuldades", afirmou Mascarenhas.

Segundo o gerente, as movimentações referentes às turmas existentes do programa, que já acelerou 183 empresas, foram alguns dos fatores que atrasaram a iniciativa em 2015.

No início do ano, o programa chegou a divulgar a lista das aceleradoras escolhidas para a quinta turma do programa, que foram 21212 (RJ), Acelera Cimatec (BA), as mineiras Acelera MGTI/Fumsoft e TechMall, as pernambucanas Jump Brasil e Cesar Labs, as gaúchas Ventiur e Wow, e as paulistas Aceleratech, Baita, Gema Ventures e Wayra.

Mascarenhas refutou a possibilidade de cortes orçamentários no programa, alegando que os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) já estão alocados no CNpQ, entidade responsável pela liberação dos investimentos, que vão de R$ 20 mil a R$ 200 mil por startup a fundo perdido.

Vale lembrar que o governo federal anunciou em maio uma redução de investimentos de aproximadamente R$ 70 bilhões, que atingiram todos os ministérios, incluindo o de Ciência, Tecnologia e Inovação (responsável pelo Startup Brasil juntamente com a Softex), que teve corte de R$ 1,8 bilhão (25%).

"Os fundos para a quinta turma do programa estão garantidos, e estamos trabalhando para divulgar o edital o mais rápido possível", afirmou Mascarenhas.

Fontes próximas ouvidas pelo Baguete Diário, no entanto, não mostram tanta confiança. O temor é que o CNpQ, um órgão que tradicionalmente orientado a financiar pesquisa acadêmica transfira parte do Startup Brasil para esse fim.

O CNpQ é presidido pelo bioquímico Hernan Chaimovich, um pesquisador com passagem pela USP e Fapesp. Além disso, os pesquisadores universitários são um grupo de pressão bem mais organizado e poderoso do que empresas nascentes, no estágio inicial de criar suas entidades representativas.

De acordo com Mascarenhas, o dinheiro do governo é apenas uma das partes componentes para o sucesso do programa. Ao falar das primeiras turmas, Mascarenhas destacou que cerca de US$ 10,7 milhões em receita foram contabilizados pelas startups aceleradas, valor acima dos R$ 8,3 milhões investidos pelo governo nas quatro turmas.

"Além disso, levantamos aproximadamente R$ 14,3 milhões em investimentos do segmento privado, um indicativo que o programa vai além do apoio estatal", aponta o executivo.