Cairoli foi presidente da Federasul. Foto: divulgação.

José Paulo Cairoli, vice-governador do Rio Grande do Sul (PSD), defendeu o pacote de aumento de impostos apresentando pelo governo como a única alternativa para não “inviabilizar” o estado.

“Se não for feito isso, inviabilizamos o processo financeiro do Estado. Por isso, encaminhamos o aumento dos tributos na certeza que teremos um período de alguns anos de poder corrigir esse rombo”, afirmou Cairoli, em entrevista ao Diário de Santa Maria.

O pacote prevê, entre outras medidas, a elevação da alíquota básica do ICMS de 17% para 18% e o aumento das alíquotas, de 25% para 30% da gasolina, do álcool, das telecomunicações, da energia elétrica comercial e residencial acima de 50 KW.

A posição de Cairoli, que foi presidente por dois mandatos da Federasul, mostra que o governador José Ivo Sartori (PMDB) não deve sofrer oposição do próprio vice, nos moldes da praticada por Paulo Feijó (DEM) outro ex-presidente da entidade empresarial e vice-governador.

Em 2006, Yeda Crusius (PSDB), que assim como Sartori, havia prometido não aumentar impostos, tentou passar um projeto de incremento tarifário antes mesmo de assumir o governo. O projeto não passou na Assembleia em duas ocasiões.

A oposição ao aumento de impostos (agravado pela divulgação, em 2008, de conversas mantidas com o então secretário da Casa Civil, Cézar Busatto) terminou em um rompimento total de relações de Feijó com Yeda e no fim da curta carreira política do empresário.

O pacote de tarifas de Sartori deve entrar na pauta da Assembleia no dia 22 de setembro. A base governista é maioria na Assembleia, mas não é possível prever que partidos como o PP votem em peso pelo aumento de impostos.

Também não se sabe que impacto da posição de Cairoli de, pelo menos publicamente, apoiar o aumento de impostos, terá sobre o seu sucessor na Federasul, Ricardo Russowsky, e nas demais entidades empresariais gaúchas.