Poucos com muito no setor de software e equipamentos. Foto: flickr.com/photos/s4intly

Tamanho da fonte: -A+A

Um levantamento realizado pelo IDC apontou que as compras de software no Brasil são mais concentradas em poucas companhias do que a média do resto do mundo.

De acordo com a pesquisa, 70% das vendas ficaram nas mãos de dez empresas em 2011. Conforme aponta matéria do Valor Econômico, esse percentual é muito superior à média global, de 48%.  

Microsoft, IBM e Totvs, as três primeiras do ranking, concentram 44% das vendas. Se somadas a Oracle e SAP, as seguintes na lista, o controle é de 60%.

CA, Symantec, VMWare, EMC e SAS, as outras cinco da lista das 10, incluem mais 10 pontos percentuais, chegando aos 70%.

De acordo com Anderson Figueiredo, gerente de pesquisa da IDC, essa concentração no setor de software se deve ao fato de que as companhias locais não têm tradição de criar sistemas de "prateleira", que podem ser instalados em qualquer cliente.

Grande parte das companhias aposta na criação de sistemas personalizados, atraentes para pequenos compradores de TI, mas as companhias de maior porte se interessam em produtos de grandes fornecedores.

Nesse cenário diferenciado, quatro empresas de capital nacional figuram na lista de maiores fornecedores de TI no país.

O levantamento da IDC, encomendado pelo Valor, levou em consideração as receitas com as vendas de softwares, equipamentos (servidores e unidades de armazenagem) e serviços de tecnologia da informação em 2011.

Conforme a IDC, o mercado de TI no Brasil movimentou US$ 54,3 bilhões no ano passado, aumentando 5,8% em comparação com 2010.

Do total de recursos, US$ 8,6 bilhões foram gastos em softwares, US$ 31,6 bilhões em equipamentos e US$ 14,1 bilhões utilizados em serviços.

Bancos, telecomunicações, manufatura e governo lideram a lista como os setores que mais investem em tecnologia.

EQUIPAMENTOS
No segmento de equipamentos, concentração das receitas tem um nível bastante alto no Brasil: 97% do mercado está em poder de dez companhias.

Se a análise se restringir às três maiores empresas do ranking, o quadro é ainda mais acentuado. IBM, Dell e HP detêm, sozinhas, 80% do mercado.

Com atuação na área de servidores, a brasileira Itautec ocupa a 8ª colocação no ranking. Ligada ao grupo Itaú, a companhia tem presença relevante nos bancos, o que lhe garantiu um espaço entre as grandes marcas de fornecedores estrangeiros.

Segundo a IDC, o mercado de finanças é o que mais compra servidores e equipamentos de armazenagem no Brasil.

SERVIÇOS
Menos concentrado entre todos setores no país, a área de serviços de TI tem 39% das receitas concentradas em dez companhias.

Figueiredo explica que a área de serviços sempre foi bem atendida pelas companhias brasileiras. Por isso, o segmento tem empresas mais estruturadas, com capacidade de atender o mercado com até mais qualidade que concorrentes estrangeiros.

Segundo afirma matéria do Valor, a presença das empresas de capital nacional cresceu recentemente, a ponto de algumas delas se tornarem alvo de aquisições por grupos estrangeiros.

Deixaram de ter capital nacional a Tivit (comprada em 2010 pelo grupo britânico Apax), a CPM Braxis (adquirida pela francesa Capgemini em 2010) e a Politec (adquirida pela espanhola Indra no ano passado).

Quem também fez uma série de aquisições para se consolidar no segmento foi o grupo chileno Sonda.

A compra da Procwork, em 2007, ajudou a impulsionar a presença da companhia no país.

De acordo com o levantamento, apenas duas empresas de capital nacional - Stefanini e Scopus - figuram no ranking em 2011, em comparação com seis nos anos anteriores.