Gerdau não está muito impressionado com Brasília. Foto: Divulgação/Fiergs.

Falta estratégia de governança e ferramentas de TI que permitam implementar melhores práticas e analisar resultados no governo.

Foi o recado de Jorge Gerdau, presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, durante a abertura do Brasscom Global IT Forum, realizado em São Paulo nesta quinta-feira, 24.

Falando para um público de empresários e autoridades de governo convidadas como Virgilio Almeida, Secretário de Políticas de TI do Ministério de Ciência e Tecnologia e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, Gerdau fez uso da sua franqueza habitual. 

“O governo precisa copiar certos padrões de gestão da esfera privada e aprimorar a máquina pública, reduzindo custos e otimizando processos. Conseguimos ter uma votação rápida e recolher dados fiscais de maneira rápida e segura, mas existem outros setores que estão mais atrasados”, afirmou o empresário gaúcho.

Desde 2006, quando deixou o cargo de presidente da siderúrgica, Gerdau exerce um trabalho voluntário como presidente Câmara de Gestão e Planejamento do Governo Federal, um órgão de assessoramento direito da Presidência da República que visa justamente melhorar as práticas de gestão do governo federal.

Gerdau, que em um evento realizado pela Exame no final do mês passado deu uma nota “3 ou 4” para a governança dentro do governo e disse que em “quase nenhum” dos 39 mistérios do governo Dilma existem metas sobre onde se quer chegar, se mostrou um pouco desiludido com a velocidade das coisas por Brasília.

“Se eu tivesse o poder da caneta, ampliaria o uso de tecnologias no governo de ponta a ponta. Precisam rever os conceitos de governança, principalmente nos dias de hoje, quando o volume de dados é imenso e a necessidade de analisá-los de maneira rápida é primordial”, imaginou o empresário.

A respeito das colocações do empresário, Laércio Consentino, presidente do conselho de administração da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), reconhece que ainda há muito a ser feito entre as empresas de TI e o poder público, e que este é o papel da associação nos últimos anos.

"Estamos batalhando há cerca de 20 anos para que as melhorias se tornem realidade no setor público. É um grande cliente das empresas de TI, mas ainda há barreiras a serem vencidas para que os laços entre ambas as partes se estreitem ainda mais", assinalou Consentino.

Bruno de Oliveira cobriu o Brasscom Global IT Forum com exclusividade para o Baguete Diário.