MUDANÇAS

Cinco inovações que surgiram de um erro

24/10/2019 16:22

Correr riscos é uma das premissas básicas de quem quer fazer algo novo.

Marília Cardoso, sócia-fundadora da PALAS, consultoria de inovação e gestão. Foto: Divulgação.

Tamanho da fonte: -A+A

Correr riscos é uma das premissas básicas de quem quer fazer algo novo. Precisamos errar rápido para acertar mais rápido ainda. E, como o erro é inevitável, precisamos usá-lo a nosso favor. Vários produtos que hoje são sucesso de vendas, nasceram de erros. Veja alguns exemplos. 

Post-it: o pesquisador da 3M, Spencer Silver, queria desenvolver um adesivo altamente colante. Mas, o resultado foi um fiasco. A cola era fraca e o papel se soltava com facilidade. Muitos anos depois, o colega dele, Arthur Fry, começou a usar aqueles adesivos para marcar seu livro de partituras para localizar as músicas na hora da missa. Pronto! Estava criado um novo produto, com uma função totalmente inversa à sua proposta inicial.

Penicilina: outro clássico é a invenção da Penicilina, que rendeu até um prêmio Nobel. Em 1928, o médico bacteriologista Alexander Fleming buscava novas formas de combater bactérias em ferimentos. Mas, ele esqueceu o material de estudo aberto em cima da mesa e, quando voltou, percebeu que aquilo tinha sido contaminado por fungos e bactérias, mas que nada daquilo se proliferava onde havia mofo. Anos mais tarde, os cientistas Howard Florey, Normal Heatley e Andrew Moyer estudaram aquela descoberta e criaram a penicilina.

Raio-X: ainda no campo da medicina, o raio-x foi outra obra do acaso. Em 1895, o físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen trabalhava no seu laboratório com tubos de raios catódicos, uma espécie de radiação emitida em um tubo a vácuo. De repente, ele percebeu que um tubo estava gerando uma luz estranha, capaz de ultrapassar vários objetos, inclusive sua própria pele, mostrando a sombra dos seus ossos. Com mais testes, ele descobriu um raio desconhecido, que resolveu chamar de “X”.

Micro-ondas: mais uma inovação inesperada foi o forno micro-ondas. Em 1945, o engenheiro Percy Spencer trabalhava para um conglomerado norte-americano que fabricava armamentos eletrônicos e equipamentos militares. Ele percebeu que ondas-eletromagnéticas emitidas por um radar acabaram derretendo uma barra de chocolate que estava no bolso dele. Após vários experimentos, ele criou o micro-ondas.

Super Bonder: em 1942, o cientista Harry Coover tentou criar uma substância para ser utilizada como lente de alta precisão. O material deu errado e grudava em absolutamente tudo. Muito tempo depois, ele percebeu o potencial daquela substância como cola e deu origem à Super Bonder. 

E não faltam bons exemplos de erros que se tornaram grandes inovações depois de um novo olhar e um pouco de tempo para esfriar a cabeça. O erro é tão importante no processo de inovação que, em 2017, foi criado na Suécia, o Museu do Fracasso.

O idealizador, o psicólogo Samuel West, afirma que “entre 80 e 90 por cento dos projetos inovadores falham antes mesmo de a gente chegar a ler sobre eles. E se há alguma coisa que podemos fazer sobre esses equívocos é aprender”. Lá no Museu, é possível encontrar uma caneta Bic só para mulheres. Mas, qual é a diferença na utilização de uma caneta por homens e mulheres?

Tem também um celular da Nokia com a função de game. A ideia era boa, mas a execução... Os clientes reclamavam de colocar aquele aparelho cheio de teclas no ouvido. E, tem a minha favorita... uma lasanha à bolonhesa da Colgate. Penso logo no hálito fresco deixado pelo produto. Cabe destacar que não havia nada de errado com a lasanha. Só é estranho uma marca que está presente no nosso banheiro, frequentar também a nossa cozinha.

Mas, tudo bem! Não vamos criticar. O erro faz parte do processo e ele é importante para criarmos inovações. Como dizia Tomas Watson, da IBM, “o segredo do sucesso é dobrar a taxa de erros”. E você, tem errado muito?

*Por Marília Cardoso, sócia-fundadora da PALAS, consultoria de inovação e gestão.

Veja também

PREFEITURA
Rio investirá R$ 2,5 milhões em espaço de inovação

Galpão na Zona Portuária terá capacidade para 144 startups.

PRÊMIO
Bradesco lidera ranking de inovação no uso de TI

Em 2019, foram recebidas 197 inscrições para o prêmio.

TENDÊNCIA
Inovação não é tecnologia!

"A inovação tecnológica é só uma das possibilidades, assim como a disruptiva, que é aquela que muda completamente o que existia antes".

TENDÊNCIA
Como trazer a inovação dos posts-its para a prática?

"Muitas empresas são incapazes de criar uma cultura, de fato, inovadora."

VOANDO
Hélice: Serra Gaúcha se une pela inovação

Movimento une nomes de peso como Randon, Florense, Marcopolo e Soprano.

TOTVS
Grupo iv2 investe em pessoas e inovação

Companhia já entregou mais de 300 projetos com a plataforma Fluig.

EQUIPE
ISH tem novo diretor de inovação e alianças

Allan Costa já foi presidente da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar).

ECOSSISTEMA
Governo do RS lança programa de inovação

O objetivo é promover articulação entre governo, universidades, empresas e sociedade em oito regiões.

INDÚSTRIA
Randon amplia programa de inovação

O Randon Exo, em sua terceira edição, vai reunir 15 colaboradores.