Aod Cunha. Foto: Baguete Diário

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O banco norte-americano JP Morgan está apostando forte no Brasil. De 2010 para 2012, o número de colaboradores passou de 400 para 800 no país. Além disso, o patrimônio líquido passou de R$ 1,7 bilhão para R$ 2,8 bilhões no mesmo período.

Em ativos, o banco passou de R$ 12,6 bilhões para R$ 31,6 bilhões nos últimos dois anos.

“Nos últimos anos temos acelerado nossa operação no Brasil”, disse o diretor do JP Morgan Brasil, Aod Cunha.

O ex-secretário da Fazenda no governo Yeda e CEO do Internacional esteve em Porto Alegre, onde o JP tem um de seus escritórios brasileiros, palestrando no  Tá na Mesa da Federasul nessa quarta-feira, 25.

Hoje, o banco é a segunda maior empresa no mundo, segundo a Forbes, perdendo apenas para a Exxon Mobil. São 256 mil funcionários no mundo e um patrimônio de US$ 2,3 trilhões.

A investida no Brasil se vale do bom momento da economia local, apesar da crise.

“O Brasil tem lidado muito bem, especialmente em função de aspectos macroeconômicos, com os problemas de fora. Mas temos que reconhecer que não somos imunes”, alerta o economista.

O principal chamado de Aod é sobre o bônus demográfico – o fato de se ter uma grande parcela da população numa média de idade jovem. Segundo Cunha, até 2050, o Brasil terá “gasto” o seu crédito, e terá uma população mais velha que a dos Estados Unidos.

A saída: aproveitar o momento para corrigir problemas estruturais, como gasto público, previdência, poupança doméstica, infraestrutura e educação.

“Do contrário, pagaremos a mesma conta da Grécia hoje, e só nos restará torcer para ser um país atraente o suficiente para imigrantes, que podem renovar a população”, declara.

A “agenda” prescrita pelo especialista é geralmente defendida por outros consultores do ramo.

Para economistas e analistas de risco, a simplificação dos triutos, um governo mais eficiente e a qualificação da mão de obra são as únicas formas de se criar um crescimento sustentado.

“Apesr da instabilidade global, o Brasil continua bem visto, mas temos que ver que não somos uma ilha, que os problemas de fora também podem nos atingir”, finaliza.