Carol Passos, líder do projeto de CMMI3 da Solutis.

A Solutis, empresa baiana de desenvolvimento de software, acaba de conquistar o selo de qualidade de software CMMI no nível 3, em um projeto que durou dois meses.

Parece rápido, e é mesmo: a conclusão da certificação foi feita em menos da metade do tempo projetado pela própria companhia. 

Além disso, a Solutis foi direto para o nível 3 do modelo, que pontua a qualidade do processo de desenvolvimento de software entre 2 e 5, sendo o 5 o nível máximo.

O projeto teve consultoria da ProMove Soluções, especializada em certificação CMMI, e envolveu 29 funcionários da Solutis, entre líderes, scrum masters, POs, desenvolvedores, testadores, analistas de requisitos e o time de gestão, design e operações.

Devido à situação de quarentena do coronavírus, tudo foi realizado à distância.

"O desafio ia além de conduzir reuniões remotas. Era preciso levar todos os processos para o novo modelo de trabalho a distância", afirma Carol Passos, líder do projeto de CMMI3 da Solutis. 

Passos destaca que a certificação foi baseada no método agile de desenvolvimento e sustentação de software, com o qual a Solutis já trabalhava desde 2017.

Além disso, desde o ano passado a empresa investe na adoção do framework Scrum para o gerenciamento de seus projetos. 

"Isso tudo, somado às práticas DevOps, tornou o processo ágil aderente ao modelo CMMI mais leve e rápido", afirma Passos, revelando que a empresa configurou as ferramentas que já utilizava de forma a guiarem o processo com essas boas práticas.

O CMMI é um certificado internacional que costuma contar pontos em contratação de desenvolvimento de software em licitações públicas ou em clientes de maior porte.

A líder do projeto destaca ainda o ganho motivacional para a equipe, durante um período desafiador para a empresa, que tem 800 funcionários atuando em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

"O desafio do CMMI entrou no universo do home office como um catalisador. Ele não apenas estimulou o trabalho dos envolvidos, mas teve influência importantíssima nas relações entre os colaboradores", avalia Passos.

Em todo Brasil, apenas cerca de 40 organizações estão certificadas CMMI, a grande maioria delas no nível 2 do sistema. Meia dúzia de multinacionais detém o nível máximo e um grupo um pouco maior de empresas brasileiras o nível 3.

O pico do interesse em torno do tema CMMI no mercado brasileiro se deu entre 2004 e 2006, quando certificações de empresas eram notícia frequente.

Na época, o certificado era visto como um facilitador para muitas empresas desejosas de entrar no mercado internacional, mas o interesse foi caindo, tendo ficado em níveis baixos ao longo da última década, na medida em que o foco da atenção passou a ser agilidade e similares.

Nos últimos tempos, parece que muitas empresas estão tentando combinar os dois universos, tidos inicialmente como polos opostos.

Além da Solutis, recentemente a Meta, uma companhia gaúcha que é parceira SAP e também tem uma operação de desenvolvimento de software, se certificou CMMI 3, combinando o método com sua própria prática ágil.

SOLUTIS DESPONTA

A Solutis vem despontando no mercado de tecnologia.

No ano passado, a empresa anunciou que Paulo Marcelo, um executivo de destaque no mercado de TI brasileiro, como novo CEO.

Em conversa com o Baguete, Marcelo abriu a meta de triplicar nos próximos anos o faturamento da Solutis, que fechou 2018 com uma receita de R$ 100 milhões.

A história de Marcelo com a Solutis é antiga. A empresa foi fundada em 2011, como um dos primeiros investimentos do Unipartners, um fundo de investimento em tecnologia criado um ano antes pelo executivo e outros cinco sócios da Unitech.

A Unitech foi uma empresa de desenvolvimento de software fundada em 1995 que teve uma trajetória de sucesso no mercado brasileiro.

Em 2007 a Unitech se fundiu com a Braxis, formando o embrião da CPM Braxis, adquirida pela gigante francesa Capgemini em 2010 quando já tinha um faturamento na casa do R$ 1 bilhão. 

Dentro da Capgemini, o executivo galgou posições até assumir o comando no Brasil, em 2014, da qual saiu no final de 2016 para o cargo de CEO na Resource, uma grande integradora brasileira de software.

Marcelo acredita que a liderança da Solutis é uma chance para surfar uma “terceira onda” no mercado nacional de software, depois da oportunidade gerada nos anos 90 pela tendência de outsourcing de TI e as arquiteturas cliente-servidor e a subsequente consolidação do mercado com grandes provedores dos anos 2000.

“A chance agora é para empresas de médio porte de desenvolvimento ágil, transformação digital e projetos em segmentos emergentes como fintech e outros nos quais startups podem criar negócios de grande escala”, acredita Marcelo.

Em outras palavras, a Solutis quer ser um competidor para novas empresas de desenvolvimento de software, como a C&IT (que fechou 2017 com um faturamento de R$ 400 milhões) e não para uma Stefanini uma Capgemini, ou outras empresas que atendem os grandes bancos do país.