Luciano Franz.

Nos últimos dias, começaram a circular avaliações sobre o impacto de uma possível falência da Oi, que já está sendo chamado de caladão: 2 mil cidades sem sinal de Internet, afetando cinco milhões de pontos de acesso à internet banda larga.

O que parece um desastre é na verdade uma oportunidade, assegura a Internetsul, associação que reúne provedores de acesso de Internet, a maioria de pequeno e médio porte, nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

“Os provedores de acesso a Internet são responsáveis por levar banda larga e serviços correlacionados a esmagadora maioria das áreas rurais, de pequeno porte ou de difícil acesso do país, e isso se agigantaria em caso de falência da Oi”, projeta o presidente da entidade, Luciano Franz. 

Pelas contas de Franz, o surgimento ou expansão de mais de 5 mil novas empresas de provimento, teria potencial para gerar cerca de 100 mil novos postos de trabalho (em 2016, quando foram anunciados cortes, a Oi tinha cerca de 16 mil funcionários).  

“A média brasileira é de duas empresas provedoras por município, com aproximadamente 20 funcionários cada”, comenta o gestor. “A verdade é que tais empresas, os provedores de Internet, prestarão a estas cidades um serviço de muito mais qualidade do que a Oi e demais grandes operadoras presta hoje”, acredita Franz.

O presidente da Internetsul afirma que a saída da Oi do mercado tornaria inevitáveis algumas mudanças no marco regulatório das telecomunicações no país.

Uma delas seria espalhar planos de numeração para todos os provedores de Internet, uma medida que está parada na Anatel há 15 anos.

O plano de numeração para o Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) permite que os provedores ofereçam serviço de Telefonia sobre IP (VoIP), já que suas redes de banda larga já têm infraestrutura para o tráfego de dados e voz.

Franz explica que a aprovação do plano de numeração ao SCM é o passo principal para o país crescer em convergência de serviços em redes IP. 

Um problema do raciocínio de Franz é que a conta das 2 mil cidades, feita pela Advocacia Geral da União e divulgada nesta semana pelo Globo, inclui não só as cidades nas quais a Oi é o único provedor, mas também aquelas nas quais ela é o único fornecedor no atacado de provedores locais (o número não foi separado).

Talvez por isso, Franz também vê como necessário o “fomento aos provedores nas cidades que ficarem desprovidas dos serviços da operadora”.

Para Franz, o levantamento da AGU sobre a Oi tem o objetivo de criar esforços para evitar que a Oi entre em falência. 

“Se parte desta energia fosse canalizada para o mercado de provedores, ou ao menos para enxergar a oportunidade que se abre inevitavelmente, com a saída deste player do mercado, teríamos um ganho imenso em qualidade e quantidade de serviço de Internet e VoIP no país”, comenta Franz. 

É possível, mas ao que tudo indica, a Oi é um problema tão grande que se tornar o que os americanos chamam de uma empresa “to big to fail”, fazendo com que o governo de turno se sinta na obrigação de tirar o negócio do buraco.

Dos R$ 64 bilhões devidos pela Oi, R$ 11 bilhões são para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e R$ 20 bilhões para bancos públicos federais.

O fim da empresa afetaria 46 milhões de celulares, 14 milhões de telefones fixos e cinco milhões de pontos de acesso à internet banda larga, trazendo um período de calamidade pública com qual nenhum governo gostaria de lidar.

De acordo com o levantamento da AGU, a única exceção a esse apagão seria o estado de São Paulo

As regiões mais impactadas seriam Norte e Nordeste, com 40% das cidades dependendo da Oi. No Sul e Centro-Oeste, o número fica entre 30% a 35%, de acordo com o estado.