Antonio Ramos Gomes.

O novo presidente da Procergs, Antonio Ramos Gomes, fez uma defesa da permanência da empresa  como uma companhia estatal, durante seu discurso de posse nesta quarta-feira, 25.

Também assumiram Deborah Pilla Villela (Vice-Presidência), Sérgio Rene Debarba Dalanhol, (Diretoria Técnica) e Paulo Fernando Kapp (Diretoria Administrativo e Financeira).

“Sou um convicto do modelo de informática pública. Se a Procergs fosse privatizada, o custo seria maior para o estado e se perderia o conhecimento valioso dos funcionários da companhia”, afirmou.

Gomes abriu seu discurso com o tema, para em seguida reconhecer os desafios que a estatal de processamento de dados deve enfrentar em um futuro próximo, devido aos planos de cortes de gastos em elaboração no governo estadual.

De acordo com Gomes, 61% do faturamento da Procergs é oriundo de serviços prestados ao governo do estado (principalmente, para a Secretaria da Fazenda), cifra que chega a 82% quando somados os gastos da administração indireta, com empresas como Corsan, CEEE e outras.

O governador Sartori (PMDB) ainda não anunciou publicamente os cortes, mas as informações que circulam na imprensa falam numa tesourada de entre de 25% a 40% nas despesas de custeio, dependendo de cada secretaria.

Então, é muito provável que muitos clientes da Procergs tentem renegociar seus contratos nos próximos meses, ao mesmo tempo em que se reduz a possibilidade de aportes diretos do governo.

“Precisamos encontrar maneiras de investir mesmo assim”, afirmou Gomes, destacando como um ponto forte da estatal o acompanhamento mensal das receitas.

Essa é a quinta passagem de Gomes pela Procergs, empresa na qual o executivo atuou como consultor durante os governos Pedro Simon (PMDB) e Alceu Collares (PDT) e exercido cargos de diretoria nos governos Antonio Britto (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB).

No segmento privado, o executivo foi gestor comercial da unidade gaúcha da Dotsoft, partner gold da Microsoft em soluções de Dynamics AX e CRM e gerente-geral do Mercado Governo e gerente de Relações Institucionais da Datasul S/A. 

A defesa da manutenção do status público da Procergs parece ter sido uma maneira do novo presidente de reassegurar os funcionários da estatal presentes à cerimônia do que uma resposta a uma ameaça real de privatização da Procergs.

No final de janeiro, no auge das especulações sobre as medidas de corte de custos em análise pelo governo estadual, chegou a circular na imprensa informação de que o Piratini estudava a extinção de fundações, sociedades de economia mista e autarquias do Estado. 

As informações que circularam sobre o plano, do qual não se ouviu falar mais desde então, colocavam como alvo a Corag, empresa responsável pela impressão de documentos oficiais do governo, a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) e Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS).

Além destas três instituições, órgãos como o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), TVE/FM Cultura, Fundação Zôobotânica, Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) e Fundação de Economia e Estatística (FEE) também estariam sob avaliação.