Fabricio Bloisi, CEO da Movile. Foto: Divulgação.

Por Fabricio Bloisi*

Desde criança tenho paixão pelo espaço, por tecnologia e ficção científica. Gostava de aviões e naves espaciais. Do meu gosto pela tecnologia nasceram dois dos grandes sonhos que tenho hoje: impactar positivamente a vida de 1 bilhão de pessoas com os aplicativos criados e investidos pela Movile e viajar para o espaço. Mas o que a busca por estes sonhos podem nos ensinar sobre empreendedorismo?

No dia 6 de fevereiro, o mundo todo assistiu fascinado ao lançamento do foguete Falcon Heavy pela empresa SpaceX, de Elon Musk, também fundador da Tesla. O Falcon Heavy foi lançado a um custo de 90 milhões de dólares - cerca de um terço do custo de um lançamento similar até então, e marca o início de um novo capítulo da empreitada rumo à primeira missão tripulada a Marte.

A corrida espacial também tem como protagonista a Blue Origin, de Jeff Bezos, fundador da Amazon, que trabalha em um foguete reutilizável com capacidade para levar seis passageiros para um voo até o espaço. A meta de Jeff é realizar o seu primeiro voo comercial com passageiros para o espaço em 2019. O terceiro participante desta corrida é a Virgin Galactics, de Richard Branson, que também pretende iniciar seus voos nos próximos 18 meses.

Musk, Branson e Bezos têm como seu "sonho grande" conquistar o espaço - assim como eu e todo o grupo Movile temos como nosso "sonho grande" tornar a vida melhor de 1 bilhão de pessoas através dos aplicativos da Movile. Ousado demais? Muitos podem ver dessa forma, mas como li uma vez: "Se você contar o seu sonho grande e ninguém rir, é porque não é grande o suficiente", e, acredite já passei por isso inúmeras vezes.

Jeff Bezos, por exemplo, fez sua fortuna apostando que a criação de uma empresa de entregas pela internet poderia ser um bom negócio, lá em 1994, quando isso parecia um sonho irreal. Hoje, a Amazon vale mais de 700 bilhões de dólares. A SpaceX que agora comemora o sucesso do Falcon Heavy enfrentou duras derrotas antes disso, com inúmeros atrasos, quase a falência da empresa e a explosão de um foguete durante o lançamento em 2016.

A história da Movile também passou por obstáculos desastrosos, desde que iniciamos com duas pessoas em uma sala de uma incubadora de empresas até quem somos hoje – com apps utilizados em 100 países, 1.600 colaboradores em escritórios em sete países, e centenas de milhões de clientes. Tivemos centenas de ideias que fracassaram e apenas uma dezena delas deu certo. Muitas crises financeiras, grandes falhas de produto, muitas apostas erradas e a frustração que elas trazem. Estamos a todo momento enfrentando muitos problemas e lidando com erros que cometemos diariamente. Sabemos que estamos só começando, e por isso temos que estar sempre aprendendo, aceitando o erro e arriscando. Não existe receita para o sucesso, e quando me perguntam como acertamos na Movile o caminho até aqui, sempre respondo que erramos muito, mas também aprendemos e corrigimos rapidamente.

Não importa o quão ousada ou distante sua meta possa parecer, o imprescindível para torná-la realidade é pensar grande, buscar inspiração em pessoas que construíram negócios gigantes e formar times com pessoas incríveis e apaixonadas pelo que fazem. Muitos dos planos vão dar errado, e quando isso acontecer, é preciso continuar sonhando, aprendendo e corrigindo a rota. Nos nossos escritórios, temos a "Future Wall", onde todos do escritório compartilham os sonhos que desejam conquistar e quando vão chegar lá. Quando você tem coragem de contar para todo mundo qual é o seu sonho grande, você tem mais energia para correr atrás dele. Planejar e sonhar para os próximos 20 anos e, a partir daí, olhar para intervalos menores – de 10 anos, 5 anos, 1 ano, 1 mês também ajuda a montar um caminho sem perder a perspectiva de onde queremos chegar e se motivando pelo sonho a cada frustração. É também essencial trabalhar muito e ter um pouco de sorte!

Ao levar a lógica das startups para a exploração espacial, Musk e Bezos estão transformando uma indústria que até a virada do século era monopolizada por agências estatais. Além de reduzirem expressivamente os custos por meio do uso de foguetes reutilizáveis, têm simplificado os sistemas de produção, acelerando os testes e as conquistas na área aeroespacial, e ajudando a criar novos Sonhos em todo o mundo sobre onde podemos chegar. Tenho certeza que terão impacto incrível sobre a humanidade - assim como vários empreendedores também têm esta oportunidade, seja na sua cidade, seja no seu planeta.

Conquistar Marte, levar turistas para o espaço, melhorar a vida de 1 bilhão de pessoas por meio de aplicativos, criar um líder global de tecnologia a partir do Brasil. Todo projeto incrível começa assim, com um sonho impossível e a certeza de que desistir não é uma opção. Estamos no melhor momento da história da tecnologia, um universo com infinitas possibilidades estão à nossa disposição. E você, qual seu sonho?

PS. Meu sonho pessoal de ir para o espaço até 2022 continua de pé … Trabalhando nisso!

*Fabricio Bloisi é CEO da Movile.