Oracle: "Comprei, mas não espalha!". Foto: Pexels.

A Oracle comprou a Oxygen Systems, uma companhia brasileira especializada no sistema de gestão na nuvem NetSuite.

O acordo foi divulgado de maneira sucinta no site da gigante, sem abrir valores, ou fazer grandes comentários.

Na nota, a Oracle diz apenas que a Oxygen Systems provê localização para os “complexos requerimentos tributários para empresas com operações no Brasil” e que a compra entregará uma experiência de localização “seamless” para o ERP.

A Oxygen Systems é uma spin off da Sonda criada em abril de 2017 a partir da sua antiga operação interna focada em Netsuite.

A empresa é sediada no Inovaparq, parque tecnológico de Joinville, onde a Sonda também mantém uma operação.

A decisão da Sonda de constituir a nova empresa aconteceu pouco menos de um ano depois da Oracle ter comprado a Netsuite por US$ 9,3 bilhões.

A Sonda é uma grande parceira da SAP, uma grande fornecedora de software de gestão na nuvem e talvez ficasse numa situação desconfortável trabalhando com o que veio a se tornar parte da concorrência.

Na época, a Sonda anunciou que seria parceira da Oxygen em soluções fiscais e serviços de terceirização de processos ligados a obrigações da área, o que não se sabe se segue valendo agora.

A NetSuite chegou ao Brasil em 2009, quase 10 anos depois de ser fundada na Califórnia, por meio da catarinense SuitePlus, então sua parceira exclusiva no país.

A reportagem do Baguete nos anos seguintes não registrou muita movimentação em torno da companhia. Nos últimos tempos, principalmente depois da compra pela Oracle, a coisa se mexeu mais.

Em julho do ano passado, a Oracle divulgou que o segmento de pequenas e médias empresas, o cliente típico da Netsuite, já era 20% da sua receita no país.

Rodrigo Galvão, presidente da Oracle no Brasil, disse na época à reportagem do Baguete que a Netsuite era chave para fortalecer a empresa no segmento.

O nicho de pequenas empresas é dominado pela Totvs, que tem cerca da metade das com até 170 usuários no país de acordo com a FGV. 

As companhias brasileiras de sistemas de gestão gostam de frisar que os seus competidores estrangeiros não conseguem lidar com a complexidade tributária no país, deixando os seus clientes obrigados a contratar módulos fiscais de fornecedores brasileiros, complicando a própria vida.

Até onde a memória da reportagem do Baguete alcança (uns 15 anos) essa é a primeira vez que a Oracle, uma empresa que compra todo mundo toda hora, decide fazer uma aquisição no Brasil, o que torna a compra uma notícia chamativa.

A decisão da Oracle de enterrar a compra numa nota de meia dúzia de linhas no site em inglês (o procedimento normal seria mandar um e-mail em português para os jornalistas de TI do Brasil) pode indicar que a empresa não quer dar muito destaque para o fato.

Isso poderia ter que ver com a vontade de não reforçar o argumentos dos players brasileiros de que a Oracle não consegue customizar o software para o Brasil, precisando para isso ir comprar uma spin off da Sonda, que para fechar todas é parceira da SAP.