CPqD lidera tendência no Brasil. Foto: flickr.com/photos/blog_eventos/

O CPqD deve se tornar a primeira organização latino americana a se associar à Open Networking Foundation, organização sem fins lucrativos que promove a adoção de redes de dados definidas por software (SDN, na sigla em inglês).

O centro de pesquisa e desenvolvimento em telecomunicações sediado em Campinas já está em contato com a organização, afirma Dan Pitt, diretor executivo da ONF.
 
Fundada em 2011 pela Deusche Telekom, Facebook, Google, Microsoft, Verizon e Yahoo a ONF quer promover uma revolução no mercado de equipamentos de rede, nos moldes do que representou a migração dos mainframes para a área de computação.
 
“A indústria de networking ainda tem uma mentalidade da era do mainframe, com empresas vendendo o hardware, o sistema operacional e as aplicações em um pacote só. Isso cria complexidade, freia a inovação e trava o crescimento”, acredita Pitt.
 
A visão que a ONF promove envolve a separação do fluxo e da gestão do tráfego de dados, com o segundo sendo guiado por um padrão aberto, operando em uma camada externa aos roteadores e switches e outros equipamentos.
 
A ONF é controlada por grandes usuários de data center, que tem interesse em um maior controle sobre os equipamentos, mas também possui mais de 60 associados na indústria como um todo.
 
Embora não detenham o direito de voto das sete fundadoras, empresas como Brocade, Dell, Extreme, HP e inclusive a líder de mercado Cisco, após inicialmente rejeitar o tema, já estão colocando no mercado switches habilitados para funcionar com tecnologia Open Flow.
 
E onde o Brasil, um país sem empresas desse porte – cada associado paga US$ 35 mil ao ano só para participar do grupo – entra nos planos da ONF.
 
“O governo brasileiro tem uma política de favorecer o desenvolvimento de tecnologia dentro do país. O Open Flow é uma porta aberta para entrar nesse mercado”, afirma Pitt.
 
De acordo com dados da Abes, o governo respondeu por 66% dos  US$ 563 milhões gastos com software livre no Brasil 2010. A administração pública para o desenvolvimento do SDN no Brasil, mas não o único.
 
Parte da visão por trás do conceito é criar um boom de empresas desenvolvedoras de aplicativos para equipamentos de rede independentes dos fabricantes, a exemplo do que aconteceu com os celulares.
 
Um mercado com essas características em tese estaria aberto para desenvolvedores brasileiros.
 
O mercado de SDN ainda é incipiente – observadores gostam de fazer uma comparação com os inícios da VMware, sem a garantia do mesmo final feliz – mas está em crescimento.
 
A consultoria especializada Dell’Oro Group prevê que o mercado SDN deve saltar de US$ 200 milhões no ano passado para cerca de US$ 2 bilhões até 2016.
 
O tamanho do pedaço brasileiro vai depender da agilidade dos desenvolvedores do país em ficar por dentro da novidade.
 
* Maurício Renner cobriu o NetEvents Américas em Miami à convite da organização do evento.