Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.

A Gerdau acaba de criar sua aceleradora de startups, a Ventures Gerdau, com o objetivo inicial de selecionar 10 empresas de tecnologia para o setor de construção, conhecidas como construtechs.

Em nota, a siderúrgica afirma que podem participar empresas “independente do estágio em que se encontrem” com soluções que promovam a digitalização e tecnologia disruptiva, visando aumentar a sustentabilidade, segurança e produtividade na área de construção civil. 

A Gerdau não adianta muito sobre valores, dizendo apenas que as selecionadas participarão de um pitch day com a diretoria executiva da Gerdau para “avaliação de parcerias e potencial desenvolvimento em conjunto dos negócios”.

Oportunidades existem. A Ventures Gerdau é fruto da área de novos negócios da Gerdau, a Gerdau Next, criada recentemente com o objetivo de acelerar a estratégia de diversificação de negócios. 

Segundo a Gerdau, em dez anos pelo menos 20% das receitas do grupo devem estar atreladas a novos produtos e soluções adjacentes ao aço. 

Para se ter uma ideia do tamanho das ambicições da Gerdau, vale lembrar que a empresa faturou R$ 39,64 bilhões em 2019, dos quais 20% seriam quase R$ 8 bilhões. 

A área é comandada por um vice presidente, Juliano Prado, que veio da Cosan, onde era diretor-executivo e CEO da Payly, startup fundada por ele dentro do grupo.

Prado reporta-se diretamente ao CEO da Gerdau, Gustavo Werneck.

O movimento de inovação aberta na Gerdau vai além das construtechs.

Além do setor da construção, a empresa também alocará recursos pensando no futuro da indústria, da mobilidade, bem como no desenvolvimento de novos materiais e modelos de interação com fornecedores e clientes.

"Temos aqui na Gerdau o propósito de empoderar pessoas que constroem o futuro. Por isso, nada mais estratégico do que criarmos essa rede de colaboração com pessoas empreendedoras, que com suas startups, nos ajudarão a moldar o futuro da indústria de construção do nosso país", afirma Werneck.

Werneck assumiu o comando da Gerdau em 2018 e tem uma passagem curta de sete meses como CIO global da empresa, entre 2015 e 2016. O profissional entrou na Gerdau em 2004.

SETOR AQUECIDO

De acordo com um levantamento da Terracotta Ventures, investidora focada em startups para os setores imobiliário e da construção, existem mais de 700 startups no segmento no país.

Por outro lado, 28% das empresas do segmento construtivo no Brasil demonstram intenção em investir em tecnologia em 2020. 

De acordo com a Terracota, 25% pretendem inovar fazendo parcerias com startups e 53% das grandes empresas do ramo apostam em startups como elemento chave de inovação em suas corporações.