Favelas são buracos negros nos mapas da cidade. Foto: flickr.com/photos/dany13/

Google e Microsoft estão conduzindo iniciativas separadas para mapear endereços nas em favelas cariocas, nas quais residem mais de 2 milhões de moradores, cifra que faria dessas regiões o  sétimo maior município do Brasil.

Segundo revela o Valor Econômico, a Microsoft está trabalhando com organizações locais e autoridades municipais para mapear o Vidigal e a Maré, duas das maiores favelas do Rio. O jornal não dá detalhes sobre as organizações e autoridades. A meta é chegar a 40 favelas.

O Google também está no Vidigal e na Rocinha e Caju, atuando em conjunto com a organização sem fins lucrativos AfroReggae. As duas empresas estão fotografando e registrando a localização de empresas.

Ambas as empresas estão de olho nas possibilidades de colocar empresas e prestadores de serviços online. 

Segundo pesquisa do Instituto Data Favela, os moradores das comunidades cariocas têm renda anual de R$ 12,3 bilhões, com uma média per capita de R$ 965.

Os dados de endereços são fundamentais para isso. Segundo relata a matéria do Valor, a Microsoft inclusive se ofereceu para pagar US$ 4,4 mil por dados coletados por uma ONG na Favela da Maré, que entregaram os dados para a prefeitura incluir as ruas no mapa da cidade, permitindo que os moradores recebessem correio, por exemplo. 

A movimentação em curso no Rio se enquadra em uma discussão sobre qual é a melhor maneira de atualizar e disponibilizar endereços, agravada no caso da cidade carioca por décadas de negligência a áreas de moradias irregulares.

A última edição da revista Economist traz uma matéria sobre iniciativas como a do governo dinamarquês, que adquiriu os bancos de dados de todas as cidades do país e criou uma plataforma aberta com as informações.

Segundo estudos citados pela revista, 1,2 mil empresas e entidades diversas usaram os dados, gerando benefícios para a economia como um todo 30 vezes superiores ao investimento em construir e manter o banco de dados.

Iniciativas similares estão em curso na Inglaterra, França e Estados Unidos.