Eduardo Tude e Carlo Filangeri. Foto: TIM/divulgação.

A TIM ainda acredita no potencial do 3G em sua participação do Brasil. Atual segunda colocada no ranking nacional, atrás da Vivo, a operadora prepara para 2014, além do avanço na nova rede 4G, renovações usando fibra em sua rede móvel de terceira geração.

Na nova iniciativa, que foi apresentada a jornalistas nesta terça-feira, 26, em Porto Alegre, a companhia anunciou que pretende implantar gradualmente o uso de conexões de fibra para levar a banda de acesso de seus núcleos até suas ERBs, no formato Fibra até o Site (FTTS na sigla em inglês).

A TIM fechará o ano com quatro cidades contando com o serviço: Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis e Joinville. Entretanto, a nova estrutura com fibra, que será também base para seu serviço 4G, terá otimizações para os usuários de 3G.

Segundo Carlo Filangieri, CTO da empresa, esta nova estratégia - chamada de Mobile Broad Band (MBB) - qualificará o serviço de tereira geração da empresa, que está em processo de crescimento no país e ainda terá novos clientes nos próximos anos.

Conforme apontam dados da Teleco, de dezembro de 2012 até outubro deste ano, foram registradas cerca de 33 milhões de novas ativações 3G, chegando a 92 milhões de usuários no país.

O foco principal é diminuir a latência, o tempo de resposta entre usuário e ERB. Para isso, além do sinal aprimorado, o MBB adotou outros recursos, como o de caching de conteúdos mais solicitados, e conexões diretas com provedores de conteúdo como Akamai, Facebook, YouTube, entre outros.

"Temos uma grande base de clientes migrando agora para o 3G, e para isso queremos otimizar e estabilizar nossas redes. O plano é não baixar de 2Mbps nos acessos de nossos usuários", explica Filangieri.

De acordo com o CTO, o 3G seguirá forte por mais dois, três anos. Para ele, o 4G ainda precisa se consolidar, com a melhoria do sinal e liberação de frequências pela Anatel, assim como o lançamento de aparelhos mais acessíveis.

A TIM pretende fechar 2013 com um total de R$ 340 milhões investidos nos três estados da região sul, com Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis tendo a maioria de seus sítios conectados por anéis ópticos, garantindo maior redundância no sinal.

No país, a empresa deve terminar 2013 com 38 cidades conectadas neste formato. Em 2014, a empresa subirá este número para 66 e em 2015, deve fechar em 87.

O 3G tradicional também terá atenção da operadora nos três estados. No Paraná e Santa Catarina, em 2014 a operadora planeja a ativação do serviço em cerca de 420 municípios, impulsionado por acordo firmado com a Anatel no leilão do 4G, onde assumiu o compromisso de levar seu sinal às regiões rurais destes estados.

No Rio Grande do Sul, onde a empresa perdeu a terceira colocação do market share para Oi, os investimentos são mais modestos, com a cobertura de 21 novos municípios.

Paulo Domingos, diretor de rede da operadora na região Sul, afirma que a qualificação do backhaul - nome dado para esta infraestrutura dentro das cidades - já credencia o poder de transmissão de dados para ativações futuras.

"Vamos disponibilizar quantidades de 100Mbps compartilhados por ERB com o uso de fibra. Mas como a capacidade dos cabos é praticamente ilimitada, podemos no futuro aumentar as velocidades para 1Gbps, até um 1Tbps, se for necessário", destaca.

Para Eduardo Tude, diretor da Teleco, a migração para o FTTS é uma preocupação atual das operadoras, e que está cada vez mais evidente, principalmente para garantir a qualidade na entrega do sinal.

"A migração para a fibra é essencial, substituindo muitas estações que ainda usam rádio como o meio principal de recebimento de sinal dos núcleos da operadora. O ganho da fibra é em estabilidade e maior resistência às condições climáticas", explica.

Mesmo com o investimento no backhaul, Tude admite que a ponta para a entrega dos serviços ainda tem problemas. Em muitos municípios - e aí inclui Porto Alegre - a expansão do sinal esbarra na legislação para a instalação de novas antenas.

Conforme explica Filangeri, as operadoras estão atuando junto ao governo para o andamento de uma nova regulamentação federal para permitir a ampliação do número de ERBs, um passo essencial para que o 4G ganhe força.

"O 4G tem um caminho de mais uns dois anos para se estabelecer, até porque suas chamadas de voz funcionam por VoIP. Enquanto isso, ainda é preciso qualificar o 3G, que embora não seja tão potente, é a melhor tecnologia disponível ao unir voz e dados", finaliza Tude.