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Salesforce quer comprar Slack

26/11/2020 05:29

Empresas estão negociando uma das maiores operações do setor de tecnologia.

Comprar o Slack seria uma jogada de mestre para a Salesforce. Foto: Pexels.

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A Salesforce quer comprar o Slack, em uma aquisição de grande porte que pode ser anunciada já na semana que vem.

A informação é de fontes próximas ouvidas pelo Wall Street Journal e sacudiu o mundo da tecnologia nesta quarta-feira, 25.

Não se sabe quanto a compra pode custar. Depois da matéria do WSJ, as ações do Slack subiram nada menos que 38%, colocando o valor de mercado da empresa em US$ 20 bilhões.

A Salesforce vem fazendo compras de grande porte nos últimos tempos.

Em 2018, fechou a compra da Mulesoft, de tecnologia para cloud, por US$ 6,5 bilhões, no que foi na época o seu maior negócio. Um ano depois, pagou US$ 15,3 bilhões pela Tableau, especializada em software de visualização de dados.

Uma compra do Slack seria uma operação do porte da aquisição da Red Hat pela IBM, fechada por US$ 34 bilhões no ano passado, ou a compra do Linkedin pela Microsoft em 2016, que custou US$ 27 bilhões.

A compra do Slack seria um passo importante para a Salesforce na competição contra a Microsoft, que compete com o Slack com o seu produto Team e em CRM com a Salesforce.

Já em 2016, o site Techcrunch revelou que a Microsoft estava de olho no Slack, um negócio de US$ 8 bilhões que acabou não acontecendo. No ano seguinte, a Microsoft lançou o Teams.

O Slack é uma plataforma de comunicação e colaboração fundada em 2019 que se tornou uma febre inicialmente em startups, ganhando com o tempo penetração no setor corporativo.

Em fevereiro, por exemplo, a IBM, que pode ser considerada um cliente corporativo por excelência, fechou um contrato para usar o Slack com 350 mil funcionários, se tornando a maior usuária do software.

Em outubro do ano passado, o Slack disse que tinha 12 milhões de usuários diários.

A cifra, no entanto, é uma fração dos 115 milhões do Teams, vendido pela Microsoft em um pacote com outras soluções populares no meio corporativo. Além disso, o Slack dá prejuízo. 

No ano passado, a empresa ficou US$ 141 milhões no vermelho, com um faturamento de US$ 401 milhões.  

A perspectiva é boa, no entanto: embalado pela onda de trabalho remoto vinda com a pandemia, o Slack cresceu 50% no primeiro trimestre de 2020 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Já a Salesforce não tem problemas com dinheiro. A empresa faturou USS$ 5,15 bilhões no segundo semestre, uma alta de 29% frente aos resultados do mesmo período do ano anterior.

A coisa vai tão bem que a empresa subiu a previsão de faturamento para 2021 em US$ 700 milhões, um trocado em um oceano de dinheiro que deve ficar entre US$ 20,8 bilhões.

Com a Salesforce, o Slack teria acesso a possibilidades de venda cruzada para a base da Salesforce, que é a maior empresa de CRM do mundo.

Já para a Salesforce, o Slack oferece uma porta numa visão antiga do seu fundador, Marc Benioff, no sentido de inventar algo que substitua o bom e velho email como ferramenta de comunicação número 1 nos corações corporativos, uma visão, aliás, compartilhada pelo CEO do Slack.

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