Rua 25 de março, em São Paulo. Foto: flickr.com/photos/iriz/

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Pagar em torno de R$ 900 por metro quadrado de um estabelecimento na rua 25 de Março, ou no Santa Efigênia, tradicionais zonas de comércio popular de São Paulo, e cerca de R$ 230 pelo mesmo espaço na Oscar Freire, um dos pontos de mais alto luxo da capital.

Esta é uma das conseqüências da pirataria, segundo relatou o secretário do Fórum Nacional Antipirataria, Rafael Belini, durante o Fórum Pró-Sustentabilidade, Antipirataria, que a HP realizou nesta quarta-feira, 27, em São Paulo.

“Este descompasso se dá porque na área de comércio popular há alta incidência de informalidade e de venda de produtos irregulares, que não têm o valor da marca e não recolhem impostos”, comentou Bellini. “O faturamento ali é muito maior, me arrisco a dizer que cerca de R$ 10 mil por dia em uma loja de quatro m2, o que valoriza e encarece o espaço”, completa.

A falsificação, segundo ele, vai  além da área de tecnologia, atingindo de cigarros a vestuário e medicamentos, mas no caso de hardware é ainda mais preocupante, por um motivo simples: ao contrário de um tênis de marca vendido em camelô, por exemplo, um cartucho de impressora falso não pode ser reconhecido de cara.

PIRATA CAPRICHOSO
“Os falsificadores capricham, há imitação inclusive das embalagens, embora uma análise atenta permita perceber diferenças na qualidade do material. O preço também não é muito diferente. Ou seja: é possível que o consumidor seja enganado, sem sequer ter a vantagem de pagar barato”, destaca o vice-presidente de Printing Personal Computers da HP, Cláudio Raupp.

Para ajudar a evitar esta enganação, a HP anuncia novidades como o HP Autenticação Móvel, ferramenta para verificação da autenticidade de caruchos originais por leitura de QR Code, e etiquetas com hologramas, com as quais, ao mover a caixa de um produto, o cliente pode ver a palavra “OK” e o sinal gráfico de “assinalado” (semelhante a um V) se movimentarem em direções opostas.

“Nossa meta é reduzir as perdas geradas pela pirataria, que têm gerado perdas anuais médias de US$ 3 milhões no setor de produção de impressão”, comenta Raupp. “Ao mesmo tempo, se perdem mais de US$ 150 milhões em cobrança fiscal somente em economias do G20”, completa.

Outro dano ocorre no mercado de trabalho: segundo o VP, a pirataria faz com que aproximadamente 2,5 milhões de empregos deixem de ser gerados por ano no mundo.

MENOS PIRATARIA, MAIS CRECHES
Na realidade brasileira, o dado também alarma: só na cidade de São Paulo, dados do Gabinete Integrado de Segurança da Prefeitura indicam que de dezembro de 2010 até junho de 2012 foram feitas 70 operações anti-pirataria em 38 estabelecimentos, resultando em 60 milhões de itens recolhidos, calculados em mais de R$ 2 bilhões.

Nisso, a perda com arrecadação de impostos pode chegar à R$ 600 milhões, conforme Bellini.

“Isso seria suficiente para construir 300 creches para atender a 60 mil crianças, por exemplo”, destaca o secretário do Fórum, do qual a HP é associada, ao lado de nomes como Lexmark, Souza Cruz e Adidas, entre dezenas de outros.

PÓDIUM SEM VITÓRIA
O alto índice não é exclusividade da capital paulista: em Maringá, norte do Paraná, só em 2012 o Fórum Antipirataria e autoridades locais já fizeram quatro investigações, resultando na captação de US$ 656,45 milhões em cartuchos e outros suprimentos só da marca HP.

Cenário que destaca o Paraná em um ranking que não gera orgulho: segundo dados da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) de abril do ano passado, o estado é um dos três líderes da pirataria, quando levada em conta só a área de software, no país, ao lado de Rio de Janeiro e Minas Gerais.

De acordo com a Abes, juntos, os três estados somaram 461,6 mil, 139,5 mil e 119,3 mil produtos falsos apreendidos no primeiro trimestre de 2011, respectivamente.

NO SHOPPING
Na briga contra a falsificação de produtos, a HP decidiu também ampliar suas ações do Planet Partners, programa que mantém mundialmente focado na logística reversa de cartuchos e toners.

Atualmente, o projeto já soma cerca de 1,3 bilhão de cartuchos reciclados globalmente, sendo cerca de 1,2 milhão só no Brasil, onde desde 2009 a companhia mantém um centro de reciclagem estabelecido junto à fábrica de impressoras mantida em parceria com Flextronics em Sorocaba.

Este ano, o programa foi ampliado com parcerias no varejo: Kalunga, Saraiva e Carrefour firmaram alianças para disponibilizar em suas lojas os chamados Ecobins, urnas da HP para depósito de materiais utilizados da marca, que serão reciclados.

Inicialmente, Saraiva vai atuar na parceria somente em São Paulo e Rio de Janeiro. Kalunga, vai atender a Sul e Sudeste. O Carrefour também entra na onda, em São Paulo, a partir do mês que vem.

É um piloto, que deverá ser expandido, chegando a cinco mil pontos de venda em todo o país dentro de um ano, segundo Kami Saidi, diretor de Operações e Sustentabilidade Ambiental da HP.

“No Brasil, hoje os cartuchos reciclados são transformados em matéria prima de nossos próprios materiais: 70% do plástico que compõe novos cartuchos e até 50% em novas impressoras fabricadas no país”, explica o diretor. “No mundo, em um ano nossa reciclagem reduziu 1,7 milhão de litros de CO2 e deixou de enviar 160 milhões de cartuchos para aterros”, finaliza.

GIGANTE
A HP está presente em 170 países, com market share de 46% no setor de impressão mundial, segundo Raupp. No Brasil, a fatia fica em 70%.

A companhia, que tem sede em Palo Alto, Califórnia, emprega mais de 350 mil colaboradores e atua com 70 mil parceiros de serviços e 145 mil de venda.

Gláucia Civa cobre o Fórum Pró-Sustentabilidade, Antipirataria, em São Paulo, a convite da HP.