Rodrigo Miceli Piazer.

Rodrigo Miceli Piazer, nos últimos dois anos diretor-superintendente das Lojas Colombo, acaba de sair do grupo varejista.

Os papéis até então desempenhadas por ele passam à responsabilidade dos demais quatro diretores da companhia.

O executivo, que trazia no currículo passagem pela Azaleia, trabalhou em seu posto combinando uma estratégia entre a frente de lojas físicas e o e-commerce. 

Em nota, a Colombo informou que o “processo de profissionalização continua consolidado nos diversos escalões da empresa”.

Na análise da Revista Amanhã, Piazer caiu pelas dificuldades atuais do segmento de varejo. Já em 2013, antes da crise decolar, as empresas de comércio, atacado e varejo da região Sul tinham uma rentabilidade sobre receita de apenas 3,2%, revela a revista, de acordo com dados do seu levantamento Grandes e Líderes.

A queda de Piazer, no entanto, pode ser considerada surpreendente. Ainda em maio, o Jornal do Comércio de Porto Alegre trazia uma matéria com o executivo, no qual era destacada a margem de manobra concedida ao profissional pelo fundador da Colombo, Adelino Colombo.

Em abril, a estratégia de marketing digital adotada pela Lojas Colombo foi a vencedora do Customer Centricity, uma das categorias avaliadas pelo Modern Marketing Experience, evento mundial da Oracle realizado em Las Vegas. 

A varejista gaúcha foi a primeira cliente do Oracle Responsys Marketing Suite no Brasil, em um projeto realizado com consultoria da Pmweb.

(Prêmios da Oracle parecem dar azar. Em 2013, Leandro Balbinot, então na Lojas Renner, recebeu um destaque internacional da multinacional um poucos dias depois de sair da empresa).

O novo posicionamento na plataforma digital culminou na geração de uma receita média por e-mail 15 vezes superior às campanhas de comunicação blast, de alto impacto e curta duração. 

A manutenção do carrinho nas compras pelo e-commerce teve uma receita 45 vezes maior, assim como a régua de review – em que o cliente é convidado a avaliar o produto adquirido – que apresentou receita 25 vezes superior. 

Ainda em 2013, a Colombo passou a integrar o seleto grupo das organizações que receberam o Troféu Diamante da 10ª edição do Prêmio Excelência em Comércio Eletrônico B2C, conferido pelo e-bit.

A loja web da Colombo é a maior da rede, com vendas que representaram cerca de 24% do total naquele ano. Com 55 anos de atuação, as Lojas Colombo alcançaram faturamento de R$ 1,5 bilhão no ano passado.

De qualquer maneira, resultados são apenas parte da equação na Lojas Colombo, que nos últimos anos tem se tornado um case de dificuldades sucessórias em empresas familiares, torrando um executivo após o outro.

Nos últimos anos, o octagenário Adelino Colombo, fundador da empresa, já demitiu três executivos, incluindo Gustavo Courbassier, ex-representante do Bradesco na Crediare, o braço financeiro da Colombo e Olivar Berlaver, um dos seus genros.. 

O próprio Adelino já teve um sócio, Miguel Ângelo Maggioni, com o qual não mantinha um bom relacionamento. Após desentendimentos, Adelino comprou em 2005 a participação de 43% do empresário na companhia.

Ser adquirido por outro grupo também não está nos planos de Colombo. Uma negociação chegou a ser iniciada com a varejista mexicana Elektra, mas o acordo não foi adiante porque o empresário gaúcho não abriu mão de ser majoritário e continuar no controle.

Também já circularam  especulações de que a Colombo estaria prestes a ser vendida, ora para o Magazine Luiza ora para a Máquina de Vendas, mas essas conversas de bastidores são negadas pela empresa.