EXCLUSIVO

Bradesco usa Watson da IBM

27/10/2014 18:29

Bradesco é parte de um grupo seleto. Foto: divulgação.

Tamanho da fonte: -A+A

O Bradesco, o segundo maior banco do Brasil, é o primeiro cliente no país do Watson, plataforma de computação cognitiva que é a grande aposta da IBM no momento.

A organização brasileira faz parte de um grupo de cerca de 10 pioneiros em todo mundo, a maioria bancos, incluindo também o mexicano Banorte, a financeira sul africana MMI, a espanhola Caixa, a multinacional francesa de farmacéutica Sanofi, entre outros.

A revelação foi feita por Steve Gold, vice presidente do Watson Group da IBM, durante apresentação para imprensa no IBM Insight 2014, mega conferência da multinacional sobre big data e analytics em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Além disso, Gold revelou que São Paulo, onde está sediado o Bradesco, será uma das cinco cidades no mundo escolhidas para abrigar centros de experiência com tecnologia Watson em todo o mundo, junto com Dublin, Londres, Melborne e São Paulo. Uma tradução para português do Brasil também está em curso.

Ainda em julho, Mike Rhodin, vice-presidente sênior da IBM e principal executivo do Watson Group, participou de reuniões com potenciais clientes empresariais e com companhias interessadas em desenvolver aplicações em conjunto com a multinacional no Brasil.

Marcelo Spaziani, vice presidente de Software da IBM para América Latina, preferiu não comentar o projeto em curso no Bradesco, mas ofereceu um exemplo da conhecida ousadia dos bancos brasileiros quando o assunto é adoção de tecnologia.

De acordo com o executivo brasileiro, ainda em 2007 a empresa fez provas de conceito de uma solução de reconhecimento facial que alertava os gerentes de um banco não revelado sobre a chegada de clientes importantes, em um alerta que incluía a carteira recente de investimentos.

"Bancos são um cliente chave quando o assunto são soluções analíticas. Outros mercados com bom potencial são empresas de seguros e de telecomunicações. São companhias que detém muitos dados sobre os clientes e podem agir de maneira customizada sobre eles", comenta Spaziani.

No caso do projeto Watson, deve ter colaborado com o fechamento do negócio a relação de confiança existente entre a IBM e o Bradesco. 

Em julho, a multinacional de TI comprou a estrutura operacional da área de suporte e manutenção de hardware e software da Scopus, empresa controlada pelo Bradesco e que tem entre seus maiores clientes o próprio banco.

O Watson é uma plataforma da IBM que é capaz de responder perguntas formuladas usando linguagem natural e uma das grandes apostas da multinacional no seu novo posicionamento como uma empresa de computação em nuvem, big data e analytics. 

No começo do ano, a IBM anunciou que o projeto, até então experimental (o Watson saltou a fama ao ganhar o tradicional programa de TV americano Jeopardy) se tornaria uma empresa, com investimento de US$ 1 bilhão, dos quais 10% iriam para um fundo de investimentos em startups da área.

Apesar da badalação, o Watson é ainda uma startup, pelo menos no universo no qual a IBM se move. A divisão emprega 1,4 mil funcionários e faturou US$ 100 milhões, contra os 431 mil funcionários e US$ 99,3 bilhões da nave mãe.

* Maurício Renner cobre o IBM Insight 2014 em Las Vegas a convite da IBM.

Veja também

ANO RUIM
Headcount da IBM cai pela 1ª vez em 10 anos

Companhia reduziu 0,7% e fechou o ano com 431.212 profissionais.

COMPUTAÇÃO COGNITIVA
IBM vai trazer Watson ao Brasil neste ano

Em visita ao país, Mike Rhodin participou de reuniões com potenciais clientes.

PAGAMENTO VIA CELULAR
Bradesco entra na briga das m-wallets

Novidade permite aos clientes do banco pagarem suas compras utilizando seus dispositivos móveis.

ANALYTICS
IBM tenta rasteira na Salesforce

Empresas se armam para brigar no mercado de analytics para corporativo.