Fraudadores estão se aproveitando de desempregados. Foto: Pexels.

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Golpistas estão se passando por profissionais de RH de empresas na internet e seduzindo desempregados com supostas vagas de emprego que exigem pagamento prévio para “finalizar o processo”.

A universitária Joana, de 19 anos, que buscava emprego remoto durante a pandemia, foi vítima de um golpe aplicado pelo Facebook e WhatsApp, no qual acabou pagando um valor de R$ 30 sob o pretexto de ter acesso a um material de treinamento.

No caso de Joana, que prefere não se identificar, o golpista divulgou uma vaga para digitalizar e-mails na Dinamize, empresa gaúcha com atuação nacional com software para e-mail marketing e monitoramento de redes sociais, com a qual ganharia R$ 0,50 por e-mail digitado.

“O golpista me mandou o link do site da Dinamize e falou para eu dar uma olhada. Eu entendi que era uma empresa séria e acabei confiando nele. Só depois que paguei descobri que o trabalho é, na realidade, vender o material e fazer o que ele fez comigo com outra pessoa, enganando alguém”, conta. 

O episódio não é único. Nesta semana, o jornal gaúcho Zero Hora relatou um golpe similar denunciado por quatro vítimas em Porto Alegre que está sendo investigado pela Polícia Civil.

Nele, uma mulher que se identifica como diretora de RH  de uma empresa com sede em Porto Alegre e em Fortaleza entra em contato com os alvos e, logo após as entrevistas para as vagas divulgadas, solicita pagamentos via Pix para exames admissionais, variando entre R$ 12 a R$ 300. 

O que chama atenção no golpe revelado pela ZH é que algumas das vítimas são elas mesmas de Recursos Humanos, o que mostra o grau de sofisticação dos golpistas.

O processo seletivo fake envolveu entrevistas por videochamada de WhatsApp, durando em média um mês. Depois de realizadas as transações, a golpista não entra mais em contato com as vítimas.

“Conversamos bastante por videochamada, foi uma entrevista bem dentro do padrão. Uma semana depois, ela me disse que eu havia sido aprovada”, disse um dos lesados ao jornal gaúcho.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) obtidos na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e divulgados em março, os efeitos da pandemia levaram a um desemprego recorde de 13,5%.

Guilherme Petreche, fundador e co-CEO da Woke, empresa do mercado de recrutamento, explica que qualquer abordagem que traz demanda financeira do candidato para participar de um processo deve ligar o alerta.

“Se isso acontecer, vá atrás de quais empresas estão por trás desse eventual processo seletivo, seja a empresa que teoricamente está te assessorando ou até mesmo a empresa da qual efetivamente a vaga se trata'',  diz Petreche.

Ainda, o executivo recomenda que o candidato evite comunicação e reporte o golpe às autoridades se perceber que não se trata de uma vaga legítima.