Curtiram? Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

O Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações acaba de ressuscitar o Startup Brasil, com um novo nome e nova direção.

A nova versão do programa se chama Finep Startup, e, como é fácil perceber, terá no seu centro a financiadora de projetos ligada ao próprio ministério e não mais a Softex e a as aceleradoras de startups.

É bom esclarecer que o MCTI não disse explicitamente que um programa substitui o outro (o ministério não retornou um questionamento da reportagem do Baguete sobre o tema até o fechamento dessa matéria).

Mas é fácil de supor que esse seja o caso. A seleção do Startup Brasil vem sendo adiada desde o primeiro semestre de 2015 e o novo programa é focado no mesmo público alvo com uma operação muito similar.

O primeiro edital foi lançado nesta segunda-feira, 26, em São Paulo, com a expectativa de oferecer até R$ 400 milhões a empresas em quatro anos. 

A chamada pública para startup deve apoiar 50 empresas por ano em duas rodadas de investimentos – em cada uma, 25 empresas serão selecionadas. 

A ideia é focar em companhias com faturamento abaixo de R$ 3,6 milhões, com investimentos de até R$ 1 milhão (a divisão dos recursos divulgados pelo total de participantes totaliza R$ 2 milhões por cabeça, o que sinaliza que a Finep poderá fazer mais aportes). 

O Finep Startup selecionará companhias com protótipo, produto viável mínimo (MVP, na sigla em inglês), prova de conceito ou,  preferencialmente, já realizando suas primeiras vendas. 

A financiadora terá uma opção de compra de ações pelo prazo de até três anos, prorrogável por mais dois anos. 

As áreas foco são educação, cidades sustentáveis, fintech, Internet das Coisas, economia criativa, energia, defesa, mineração, petróleo, manufatura avançada, biotecnologia, tecnologia agrícola, química e modelagem da informação da construção (BIM, na sigla em inglês).

"Aprendi na vida pública que a fotografia da largada é muito importante. Quem observar o registro desse evento, com as pessoas aqui presentes, vai saber que a iniciativa tem tudo para dar certo", afirma afirmou o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Gilberto Kassab, durante o evento de lançamento.

Kassab obviamente também aprendeu outro mandamento da vida pública: o de nunca mencionar os antecessores dos programas que estão sendo lançados no momento e não dar maiores satisfações sobre mudanças de rumo. 

Lançado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff como um fomentador-chave do empreendedorismo no Brasil, o Startup Brasil, tinha um modelo muito similar, mas com algumas diferenças chave.

O foco era mais definido em empresas de tecnologia; as verbas eram menores, entre R$ 20 mil até R$ 200 mil, mas colocadas a fundo perdido e, principalmente, o governo tinha bem menos controle do programa.

As startups participantes trabalhavam com um grupo de aceleradoras selecionadas, na qual estavam incluídos mais ou menos todos os players relevantes: a baiana Acelera Cimatec, as mineiras Acelera MGTI/Fumsoft e TechMall, as pernambucanas Jump Brasil e Cesar Labs, as gaúchas Ventiur e Wow, e as paulistas Aceleratech, Baita, Gema Ventures e Wayra.

A ideia era que o dinheiro do governo levasse a rodadas de investimento adicionais ao longo do processo de aceleração. 

De acordo com a organização da iniciativa, cerca de R$ 24,3 milhões aplicados nas startups até agora são provenientes de investimentos privados, valor bem acima dos R$ 9,2 milhões aportados pelo programa. As aceleradoras credenciadas responderam por R$ 1,8 milhão.

Foram 183 startups apoiadas em quatro turmas nos anos de 2013 e 2014. Em 2015, já com os efeitos da crise econômica batendo, o edital do primeiro semestre não aconteceu. 

Igor Mascarenhas, que comandava as operações do Startup Brasil, saiu do programa em janeiro de 2016 (está hoje na Startup Farm) e nunca foi substituído.

Agora, a Finep está entrando com mais dinheiro, mas parece disposta a correr bem menos riscos. O programa priorizará empresas aportadas por investidores-anjo.

Aqueles que se comprometerem a investir na empresa selecionada pelo edital receberão parte do retorno em excesso da Finep, com o objetivo de ampliar o engajamento do investidor privado com o sucesso da empresa.