Linx tem comprado empresas de e-commerce. Foto: Pexels.

A Linx, líder em software de gestão para o varejo, fechou um acordo pelo qual vai pagar até R$ 109,6 milhões para adquirir a Millenium, especializada em software de gestão para e-commerce.

Como a Linx costuma fazer, o valor será dividido em uma parte paga à vista (R$ 65 milhões) e outra sujeito ao atingimento de metas financeiras e operacionais de médio prazo (R$ 44,6 milhões até 2022).

Fundada em 1993, a Millennium oferece sistemas como serviço que funcionam juntamente com tecnologias de outras fabricantes.

O faturamento bruto da Millennium esperado para 2019 é de R$ 31 milhões. A empresa tem mil clientes, incluindo alguns nomes de peso como Amaro, Riachuelo, Johnson & Johnson, Mormaii, Marabraz, BRF e Infracommerce.

“A aquisição da Millennium é mais um passo da Linx para reforçar sua estratégia omnichannel. Neste caso, o racional é fortalecer o ecossistema com uma solução de back office altamente escalável e com forte complementaridade às soluções existentes na Linx”, explica a Linx em nota.

(A empresa gosta de usar a expressão “racional” nos seus comunicados, uma tradução meio literal do inglês “rationale”. Não copiem esse hábito: usem a palavra explicação, que quer dizer a mesma coisa). 

É mais uma compra da Linx, nada menos que a trigésima desde 2008, mais ou menos uma a cada quatro meses e meio.

As compras incluíram fornecedores de soluções de nicho para varejo de roupa, farmácias, postos de gasolina e players de e-commerce.

Nos últimos tempos, o setor de comércio eletrônico vem recebendo uma atenção especial.

No ano passado, a Linx comprou a o Digital Commerce Group, uma companhia especializada em plataformas de e-commerce sediada em Porto Alegre e dona dos produtos EZ Commerce, Core e Octopus, por um valor que pode chegar a R$ 67 milhões.

Em outubro de 2017, foi a vez da ShopBack, uma plataforma focada na recaptura de usuários abandonados e na retenção de clientes com remarketing por meio de big data, por um valor de até R$ 56 milhões.

Em 2015, a empresa começou a investir também em empresas com tecnologia para comércio eletrônico, comprando a catarinense Chaordic e a amazonense Neemu, ambas donas de produtos que permitem personalizar sites de vendas online.

O valor dessas duas compras pode chegar a R$ 111,4 milhões, dentro do mesmo sistema de uma parte à vista e outra em metas.

A empresa também contratou pessoas. Alessandro Gil, ex-CXO da Vtex, assumiu em março como diretor executivo para ofertas de omnichannel, e-commerce e marketplace da Linx.

CXO, no caso, é a sigla para chief experience officer. Gil é um executivo rodado no segmento de e-commerce, tendo sido diretor de marketing e vendas da Ikeda, além de CMO e country manager na Rakuten.

Em nota, a Linx aponta que a missão de Gil é “transformar o varejo com ofertas para a jornada de compra online e offline”.

Uma definição mais prática da missão do executivo seria dizer que ele tem que articular em um porfólio consistente as aquisições dos últimos anos.