Leonardo Bortoletto. Foto: divulgação.

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Com uma cena de cerca de 5 mil empresas voltadas ao mercado de TI, o desafio do estado é transformar essa força de trabalho no maior mercado de TI do país até 2022. O programa MGTI está disposto a assumir essa tarefa.

Resultado da união de quatro entidades mineiras (Assespro-MG, Fumsoft, Sucesu Minas e Sindinfor), mais o governo do estado e a prefeitura de Belo Horizonte, o objetivo da organização é promover o fortalecimento do setor.

“A pretensão é alcançar R$ 9 bilhões em faturamento do setor em 2022. Em 2012, a receita total bruta do segmento no Estado foi de R$ 2 bilhões, cerca de 1,6% do PIB estadual", revelou Leonardo Bortoletto, conselheiro do MGTI e vice-presidente executivo da Sucesu Minas.

Para comparar, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina não existem dados que meçam a presença do mercado de TI dentro do cenário geral da economia estadual. No cenário nacional, a receita de TI em 2012 ficou em US$ 112 bilhões. No caso de Minas, Bortoletto é direto:

"Sabemos que o café e mineração ainda representam a maior fatia de nossa economia, mas o plano é levar a tecnologia para o topo desse ranking, se tornando a segunda força no médio prazo, e primeira a longo prazo", declara o conselheiro, frisando que somente na região de Belo Horizonte existem 3,5 mil empresas de tecnologia, responsáveis por cerca de 20 mil empregos diretos.

Ainda assim, Bortoletto reconhece que muitas empresas locais ainda perde para outros polos no país, como São Paulo e Santa Catarina. O plano, além de trazer novas empresas, é qualificar a força de trabalho existente.

"Pretendemos aumentar a competitividade das empresas, inclusive, em padrão internacional, desenvolver as empresas locais e startups, gerar tecnologias inovadoras, e incrementar a arrecadação de impostos”, detalha.

Para alcançar os resultados, o programa MGTI possui quatro pilares: capacitação, geração de negócios, adequação de regulações locais e criação de um condomínio temático de TI, tirando do papel o projeto do BHtec, parque que será anexo à universidade federal (UFMG), no bairro da Pampulha.

"O estado está bem posicionado em relação a outros no quesito tecnologia e isso já é uma grande vantagem. Queremos capacitar e reter os profissionais para que as empresas deixem de contratar e importar tecnologia de outros estados", frisa Bortoletto.

Na parte de qualificação, o executivo destacou uma parceria com a Universidade de Stanford, na Califórnia, para colocar as empresas do MGTI em contato com as melhores práticas do Vale do Silício. De acordo com a entidade, segmentos como mobilidade e software são segmentos com grande potencial em relação a projetos e negócios locais.

Outra iniciativa do MGTI é o Acelera MGTI, que já acelerou cinco startups, sendo quatro brasileiras e uma americana. Única integrante do programa federal Startup Brasil a contar com uma participação estatal, a aceleradora dá às empresas participantes, por intermédio do governo mineiro, um bônus de R$ 50 mil sobre o aporte de R$ 200 mil recebido por cada startup.

A aceleradora já teve cinco startups, sendo elas quatro brasileiras e uma americana. Nos próximos seis meses, cinco novas startups passarão pelo mesmo processo.

Para explicar essa sinergia com o governo estadual, Bortoletto afirma que a união entre as entidades de TI do estado foi um fator fundamental. Segundo ele, as entidades se organizaram em uma estratégia focada em fomentar o setor.

"Em outros estados, acontece de várias entidades e organizações operarem de forma independente, o que deixa às vezes a comunicação com o governo um tanto mais difusa", analisa o dirigente.