Paulo Lerner, CEO da Syos. Foto: divulgação.

A Syos, startup carioca que monitora geladeiras comerciais utilizando soluções de internet da coisas e analytics, vai receber um aporte da KPTL que pode chegar a R$ 10 milhões, a ser pago em prestações. 

A companhia não abriu o valor do primeiro pagamento ou a quantidade de transferências a serem realizadas. Os recursos são do fundo Criatec 3, criado pelo BNDES e gerido pela KPTL. 

Com surgimento em 2019, a Syos foi fundada por Paulo Lerner, que atua no setor de IoT há mais de 10 anos. Ela nasceu como uma spin-off da THINC, empresa de telemetria para redução de custos de frota presente no mercado desde 2005.

Lerner começou a empreender desde que terminou a graduação em engenharia de produção, na PUC do Rio. Além das duas empresas, tem no currículo Kleintech e Rewinery.

Para colaborar na criação da Syos, o fundador chamou Luiza Gazola, profissional com mais de 10 anos de consultoria liderando cientistas de dados, para montar o time de inteligência artificial e trabalhar em algoritmos de manutenção preditiva e analytics avançado. 

Além dela, também contratou Carlos Bugs, engenheiro especializado em hardwares de IoT e sensoriamento, com longa vivência na criação e industrialização de tecnologias. 

Já Patricia Frajhof, profissional atuando há mais de 10 anos em grandes empresas nas áreas de relações com investidores e tesouraria, comanda a área financeira e de operações da startup.

O foco inicial de atuação da Syos é no monitoramento de geladeiras comerciais para o setor de alimentos e bebidas, com o objetivo de evitar o mau funcionamento dos refrigeradores.

Com uma operação incorreta, os equipamentos podem prejudicar a qualidade dos produtos, oferecer riscos de contaminação e levar a episódios de intoxicação alimentar, além de gerar desperdício de comida, custos altos de manutenção e energia.

“Um refrigerador comercial é um ativo de baixo custo, com pouca automação e inteligência. Porém é um ativo que movimenta muito dinheiro. Pela nossa experiência, ele vende mais, custa menos e funciona melhor quando está sendo monitorado e gerido de forma inteligente. Há muita oportunidade de negócio ali”, explica Paulo Lerner, CEO da Syos. 

Por meio da instalação de hardware proprietário, sem a necessidade de geladeiras novas, a companhia trata, analisa e publica dados coletados em aplicativo mobile e plataforma web, além de gerar alarmística utilizando inteligência artificial e machine learning.

A base do sistema é um sensor sem fio que é colado no refrigerador e captura as principais informações do equipamento, como temperatura, abertura de porta e posicionamento.

Em seguida, essas informações são transmitidas para uma plataforma analítica que as processa e entrega os dados e alarmes necessários, permitindo o monitoramento e a gestão dos ativos em campo.

A startup já conta com clientes como Coca-Cola, Grupo Big, Imbera e Green Yellow. Atualmente, os equipamentos da startup já estão em mais de 30 mil refrigeradores da Coca-Cola Brasil afora.

Para a KPTL, o destaque da Syos está em seu histórico e potencial de escalabilidade. 

“Os principais clientes da Syos são empresas com milhares de refrigeradores e que contratam uma solução completa. Desde sensores dentro das geladeiras até algoritmos de machine learning para realizar manutenção preditiva. A Syos é pura tecnologia, tem um incrível ativo proprietário e é nisso que acreditamos”, afirma Renato Ramalho, CEO da KPTL.

Segundo a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), o Brasil tem cerca de 40 mil estabelecimentos desse tipo, com uma média estimada em cerca de 50 refrigeradores por loja. Neste contexto, o problema de má refrigeração gera prejuízos de mais de R$ 800 milhões ao ano.

Assim, o potencial de mercado total da Syos apenas em supermercados seria de 2 milhões de unidades de ativos, ou R$ 500 milhões anuais. Entre outros potenciais clientes, enquadram-se restaurantes, lojas de conveniência, lanchonetes, farmácias, hotéis e hospitais.

A KPTL é uma gestora de Venture Capital com ativos na ordem de R$ 1,2 bilhão e 48 empresas investidas. Sediada em São Paulo, a empresa tem seis escritórios espalhados pelo Brasil e um em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Fundada a partir da fusão entre Inseed Investimentos e A5 Capital Partners, a empresa é gestora do fundo Criatec 3, criado pelo BNDES em 2016.

Com atuação nacional, o Criatec 3 conta com mais 10 cotistas além do BNDES e já fez mais de 20 investimentos em startups de diversos setores como agronegócio, energia, mídia, varejo e tecnologia da informação.