O papagaio Guga ainda está em testes, mas já está de olho. Foto: flickr.com/photos/kumaravel

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Alunos e professores do Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Computação Aplicada da Unisinos (Pipca) criaram um site piloto onde os usuários podem apontar problemas, registrar fatos e sugerir melhorias para a sua cidade.

Batizado com o simpático nome Guga, o sistema usa uma interface simples, ligada ao Google Maps, onde as pessoas podem fazer tags, apontando ocorrências referentes ao trânsito, saúde, segurança e manutenção.

Criado há cerca de um ano, o projeto segue o conceito de cidades inteligentes (smart cities), onde a participação do indivíduo é fundamental na administração da sua cidade.

Segundo o professor e um dos idealizadores do projeto, o professor Luiz Paulo Luna de Oliveira, o Guga é uma ferramenta simples para que a população possa zelar por sua cidade, de cidadão para cidadão. "É uma ferramenta que quem faz é o próprio usuário, informando seus conterrâneos de melhores rotas para o trânsito, ruas onde há obras, lugares onde não é seguro de passear em determinado horário", explica.

Segundo Luna, que coordena o projeto ao lado da professora Marta Becker Villamil, o Guga é um site sem dono definido. A intenção é que seja um sistema irrestrito, democrático e descentralizado, nos moldes da internet. O sistema da aplicação não é código aberto, conforme afirma o coordenador do projeto.

"Embora ele seja fechado, não há finalidade lucrativa para este projeto. É uma iniciativa para que os moradores participem e busquem a melhoria de suas cidades", destaca.

A manutenção do sistema é dividida em duas partes. O banco de dados de registros e a administração foram desenvolvidos junto com a empresa F1 Soluções, que fica no Parque Tecnológico de São Leopoldo – Tecnosinos. A pesquisa fica a cargo do Pipca e conta com a participação de duas alunas do Mestrado em Computação Aplicada, Luana Carine Schunke e Naira Kaieski.

USO NAS CIDADES

O projeto ainda está em fase de testes, hospedada em uma máquina virtual da Unisinos, acessível pelo link. Ela admite muitos aperfeiçoamentos, que só serão justificados com o seu uso e as consequentes demandas. Por isso, o próximo passo é a sua implantação para uso em uma cidade.

Segundo Luna, o projeto Guga já foi apresentado para representantes da Prefeitura de São Leopoldo, com a intenção de aplicá-lo efetivamente como uma ferramente a serviço da comunidade. No entanto, não houve interesse do poder executivo.

"As prefeituras podem fazer uso do Guga como uma forma de saber melhor o que interessa à sua comunidade, assim como podem criar camadas sobre a interface original do sistema para fazer os seus comunicados aos usuários do Guga", complementa Luna.

PORQUÊ GUGA?

Mas afinal de contas, de onde vem o nome Guga? Luna responde:

"É somente o nome do meu papagaio. A motivação vem do fato de que trata-se de uma ave com muita personalidade, e que frequentemente protesta quando nao gosta de algo. E quando quer uma coisa, é insistente. É um pouco como um cidadao deve ser, e o sistema GUGA eh uma ferramenta para isto".

Segundo o professor, o nome simples e "brasileiro" pode ajudar o sistema a reforçar sua notoriedade no exterior.

No início de julho, o software foi apresentado ao Massachusetts Institute of Technology (MIT), referência mundial em pesquisa. Na oportunidade, o MIT Media Lab, que trabalha com dinâmica social, mostrou interesse de colaborar com a ideia.