Cássio Spina. Foto: Ivan Andrade/divulgação.

Criado na década de 20, na Broadway, o conceito de investidor-anjo foi dado a empresários que investiam quantias de dinheiro para ajudar dramaturgos iniciantes a levarem seus espetáculos aos palcos. Quase 100 anos depois, o termo ainda está muito presente no mercado, e a Anjos do Brasil acredita que o Brasil tem muito a se beneficiar com isso.

Fundada em 2011, a Anjos do Brasil é uma entidade sem fins lucrativos destinada a fomentar a prática do investimento anjo no país. Hoje, ela conta com dez núcleos regionais no país, inclusive no Rio Grande do Sul.

Para Cassio Spina, fundador da entidade e convidado do Tá na Mesa da Federasul nesta quarta-feira, 28, o Brasil ainda carece de uma cultura do investimento anjo. Segundo ele, muitos investidores em potencial ainda desconhecem o conceito e acabam deixando de apostar em boas ideias.

"O investidor-anjo pode ser desde um empresário até um profissional liberal com um patrimônio para investir. Os investimentos iniciais podem ser de R$ 50 mil a R$ 100 mil por empresa, e a participação deles no negócio fica entre 20 a 30%", explica.

Conforme explica Spina, o Brasil conta com uma atividade sólida de aportes desta natureza, com cerca de 6,3 mil investidores-anjo, mas muitos ainda não tem conhecimento da evolução desta prática.

"O investimento-anjo no país acaba ficando no esquema 'amigo do primo do empresário', que investe um dinheiro em um negócio, de olho em um retorno futuro", explica.

Nos Estados Unidos, segundo dados da Nothwest Univiersity, cerca de 260 mil pessoas realizam investimentos-anjo, movimentando US$ 60 bilhões anualmente.

É se espelhando neste exemplo que Spina acredita que o cenário deste tipo de operação pode crescer no Brasil. Até o momento, a Anjos do Brasil já fechou oitenta parcerias de investimento.

No Rio Grande do Sul, um exemplo de empresa que recebeu aporte através de investimentos oportunizados pela Anjos do Brasil foi o da canoense GetWay, desenvolvedora de uma solução de análise de grandes volumes para varejo.

SMART MONEY

Mais do que um aporte financeiro, Spina frisa que o trabalho de um investidor-anjo é colaborar com subsídios e conhecimento para garantir o sucesso da empresa ajudada - e o retorno do dinheiro investido, obviamente.

"É o que lá fora se chama de Smart Money. É um investimento que envolve mais riscos, mas está ligado também ao trabalho e esforço que é colocado para conquistar bons resultados", explica.

Segundo o empresário, assim como um aporte pode acabar em prejuízo, no caso de insucesso da startup, o retorno positivo pode ser de 40% a 60% do valor aportado.

"Levando em consideração o tempo de investimento, que fica de três a cinco anos, é um rendimento bem superior ao que um fundo de renda fixa, que tem em média uma liquidez de 2% ao ano", avalia.

Por isso Spina defende uma política que ainda está começando no país - e que no Rio Grande é inexistente - que é a de criar uma carteira de investimentos, com três a cinco empresas.

"Nos Estados Unidos, é uma prática recorrente. Assim, um investimento bem realizado pode compensar pelo aporte que não dá retorno", observa.

Além disso, a Anjos também acredita que, com uma política tributária favorável, como é feita em países da Europa e nos Estados Unidos, mais pessoas entrem nessa tendência.

Segundo levantamento da Anjos do Brasil, cerca de R$ 495 milhões sairão do bolso de investidores anjo para o fomento de empresas, em ramos como inovação tecnológica e outros. No entanto, o potencial desde mercado passa dos R$ 3 bilhões.

Para o futuro no Brasil, Spina é otimista. Segundo ele, muitas pessoas pensam em investir, mas ainda esbarram no desconhecimento.

"Queremos que mais pessoas encarem este desafio, pois além de uma forma de ganhar dinheiro, serve para movimentar a economia e apoiar novos negócios. Essa satisfação pessoal também conta muito para um anjo", finaliza.