Indústria 4.0 é um dos assuntos quentes do momento. Foto: Pixabay.

Entidades de tecnologia, do setor de indústria e o governo parecem ter acordado para a necessidade de movimentar o país em torno do assunto Indústria 4.0, um tema que não vinha recebendo a atenção que merece. 

Só essa semana viu o lançamento de duas movimentações nesse sentido.

A Vertical Manufatura da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) lançaram o Cluster Nacional para a Indústria 4.0.

O objetivo do cluster é “acelerar a adoção dos conceitos” relacionados à Indústria 4.0, explicam as entidades. 

Isso será feito por uma aproximação entre as empresas fornecedoras de tecnologias como sensores, software analítico e processamento de dados na nuvem, agrupadas na Acate, e os potenciais compradores interessados em turbinar suas linhas de montagem e produtos finais, representados pela Abimaq.

“Temos como objetivo ser uma das principais referências nacionais em tecnologia para Indústria 4.0”, destaca Tulio Duarte, diretor da Vertical. 

Santa Catarina já está adiantada nesse sentido. Durante o evento de lançamento do cluster, em Joinville, foi apresentado o case da Embraco, uma multinacional de refrigeradores que já está adiantada no processo.

A Embraco foi uma das fundadoras, junto com a Pollux e a Fiesc, da Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII), uma entidade que visa replicar no Brasil o trabalho do Industrial Internet Consortium (IIC).

O ICC foi fundado em 2014 e  reúne reúne players mundiais de tecnología como AT&T, IBM, GE e Intel, além de organizações como a GS1, visando a promoção de padrões de Internet Industrial que permitam massificar a Indústria 4.0.

Acate e da Abimaq afirmam que uma das prioridades do cluster é buscar a adesão de novas entidades à iniciativa, para que ela tenha representação em todos os estados. 

Uma delas está acontecendo em São Paulo, onde a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Fiesp, estão lançando um programa similar, batizado de Rumo à Indústria 4.0. 

A movimentação da Fiesp tem mais cacife junto ao governo. Para o lançamento, marcado para essa sexta-feira, 29, está prevista a presença do coordenador do Grupo de Trabalho da Indústria 4.0, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Rafael Moreira.

O acordo também foca na difusão do conceito de Indústria 4.0 entre a indústria brasileira, com destaque para a medição do nível de maturidade dentro de um modelo de avaliação proposto pela ABDI. 

Estão previstos quatro workshops sobre o tema por São Paulo, o coração industrial do país, abrangendo a capital, Campinas, o ABC paulista e Ribeirão Preto.

“Aplicar o conceito da indústria 4.0 é condição inegociável para a competitividade do setor produtivo brasileiro”, afirma o presidente da ABDI, Guto Ferreira.

A nível de governo, a principal movimentação é o Plano Nacional de Internet das Coisas previsto para ser lançado ainda este ano. 

Em fase de estudos técnicos, o plano deve incluir a criação de um ecossistema de inovação; a construção de um Observatório de IoT, uma plataforma online para acompanhamento das iniciativas do Plano Nacional de IoT; e a elaboração de uma cartilha para gestores públicos, sobretudo, para a contratação de soluções de Internet das Coisas para cidades inteligentes.

A movimentação tem razão de ser. O Brasil está atrasado no assunto Indústria 4.0. 

De acordo com uma pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 2.225 empresas de todos os portes e foi feito em janeiro de 2016, a maior parte da indústria nacional ainda está começando o processo.

A análise da CNI divide a adoção de tecnologias dentro das diferentes etapas da cadeia de valor dos produtos industriais, desde o desenvolvimento até o uso, passando pela criação de novos modelos de negócio, produtos e serviços, um cenário mais avançado de Indústria 4.0.

De acordo com a CNI, a maior parte dos esforços feitos pela indústria no Brasil ainda está na fase dos processos industriais: 73% das empresas que afirmaram usar ao menos uma tecnologia digital, fazem isso na etapa de processos. 

Outras 47% utilizam ferramentas digitais na etapa de desenvolvimento da cadeia produtiva e apenas 33% em novos produtos e novos negócios.