Aposta no Uber Eats pode ser insuficiente para conter desaceleração. Foto: divulgação.

A Uber está discutindo cortar cerca de 20% dos funcionários e economizar até US$ 1 bilhão em despesas, uma vez que a empresa lida com uma queda nos negócios devido à pandemia de coronavírus.

De acordo com o site The Information, demissões dessa magnitude podem ser anunciadas em etapas nas próximas semanas, resultando em mais de 5,4 mil dos 27 mil funcionários perdendo os empregos.

"Como seria de esperar, a empresa está analisando todos os cenários possíveis para garantir que cheguemos ao outro lado da crise em uma posição mais forte do que nunca", afirmou um representante da Uber em comunicado.

Nas últimas semanas, centenas de vagas em aberto desapareceram da página de carreiras da Uber, que agora mostra zero vagas na empresa para todos os países. 

O The Information é um site bem informado sobre bastidores no Vale do Silício e alguns outros acontecimentos reforçam a hipótese de um grande corte.

Segundo o Business Insider, Thuan Pham, diretor de tecnologia da Uber, vai deixar a companhia no dia 16 de maio. Pham é o executivo mais antigo da Uber e lidera o time de engenharia da empresa, que deve ser o maior impactado com os cortes.

Das 3,8 mil pessoas da área, devem sobrar cerca de 800 nas próximas semanas.

"Sinto-me à vontade para pendurar o chapéu em um momento em que a equipe de engenharia da Uber está no auge da produtividade, criamos escala e estabilidade robustas do sistema e estamos bem preparados para enfrentar o futuro", afirmou Thuan Pham, diretor de tecnologia da Uber, em comunicado reproduzido pelo BI.

O executivo ingressou na Uber em 2013, sob o comando de Travis Kalanick, fundador e ex-CEO da empresa, que deixou o conselho depois de vender o restante de sua participação em dezembro do ano passado.

Ainda de acordo com o BI, o distanciamento social em todo o mundo fez os principais negócios da Uber caírem para cerca de 20% do volume habitual no final de março. Dados privados sugerem que o declínio pode ser ainda maior, chegando a 94%.

Para compensar as perdas, a Uber se apoiou fortemente no Uber Eats, que já estava crescendo rapidamente como uma importante fonte de receita antes da desaceleração global.

Também no final de março, a Uber informou que a adesão de restaurantes na área de Seattle, até então uma das cidades mais atingidas dos Estados Unidos, aumentaram em 10 vezes.

Nesta terça-feira, 29, a página da empresa no Linkedin mostra mais de 2 mil vagas, todas para entregadores do Uber Eats em diferentes cidades americanas.

A Uber deve divulgar seu desempenho financeiro do primeiro trimestre em sete de maio. Deste período, apenas as últimas semanas foram afetadas pela pandemia, mas foi o bastante para empresa já ter retirado suas previsões financeiras em 16 de abril. 

"Dada a natureza evolutiva da covid-19 e a incerteza que causou a todos os setores em todas as partes do mundo, é impossível prever com precisão o impacto cumulativo da pandemia em nossos futuros resultados financeiros", afirmou a Uber na época ao Business Insider.

Não está claro como o corte pode afetar o Brasil, o segundo maior mercado da Uber, representando 8,5% da receita global da companhia. 

A empresa mantém um Tech Center em São Paulo, anunciado em dezembro de 2018. Na época, a empresa projetou investimentos na ordem de R$ 250 milhões no local, distribuídos ao longo dos quatro anos seguintes.

Em novembro de 2019, a companhia anunciou cerca de dez contratações no centro brasileiro, todas dedicadas à segurança do Uber Eats, que significavam um aumento de 30% na equipe.

A Uber tem 22 milhões de usuários no país, que agora não estão ativos como antes, além de 600 mil motoristas. Em cinco anos, já foram mais de 2,6 bilhões de viagens realizadas.