Esta Amazon existe há mais tempo. Foto: divulgação.

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O pavor de perder a Amazônia para iniciativas internacionais agora se alastra para o virtual. O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) entrou em rota de colisão com a Amazon pela disputa do domínio ".amazon" na web.

O CGI publicou nesta quarta-feira, 29, uma resolução de contestação à solicitação do domínio pela gigante varejista, que pediu o registro junto à ICANN, inclusive em suas versões em japonês e chinês.

A investida da Amazon, cujo nome foi inspirado pelo Rio Amazonas, acompanha o movimento da ICANN, que pretende liberar uma ampla expansão no ramo de domínios na internet.

A empresa de Jeff Bezos também registrou pedido por nomes como ".song", ".shop", ".kindle", entre outros. No entanto, a menina dos olhos é o domínio que remete ao próprio nome da companhia.

Para o comitê nacional, o processo de solicitação de novos domínios deveria restringir o uso de nomes referentes a regiões geográficas sejam permitidos sem a permissão de seus respectivos governos.

A posição contrária do Brasil ao pedido da Amazon é reforçada por autoridades peruanas e de outros países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

Do outro lado, a norte-americana aposta do uso do domínio para expandir seus serviços segmentados, tanto no varejo como também em hospedagem de sites e serviços online com a AWS, que em 2012 teve faturamento na casa dos US$ 2 bilhões.

Além disso, a companhia não é uma estrangeira no país. Além de já oferecer seus serviços pela AWS, no final do ano passado a companhia abriu sua operação nacional de varejo, com a venda do Kindle e e-books em sua loja virtual.

Procurada pela reportagem do Baguete, a assessoria de imprensa da Amazon não deu respostas sobre a situação.

Para Virgílio Almeida, coordenador do CGI.br, não restam dúvidas de que esse domínio deva ser um bem do público da região amazônica.

“Ressaltamos nosso posicionamento de que quaisquer outros domínios de topo que contenham valor cultural, geográfico ou patrimonial não devam ser delegados a entidades de caráter privado dissociadas do interesse público”, completa.

A opinião acompanha o posicionamento do Ministro de Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, que falou sobre o assunto ao jornal inglês The Guardian.

"Permitir que companhias privadas registrem nomes geográficos para reforçar sua estratégia de marca e lucrar com isso não serve, ao nosso ver, ao interesse público", destacou.

Nesta guerra virtual, o CGI chegou a colocar na rede uma petição pública para mobilizar o público brasileiro para reivindicar o domínio ".amazon". Por enquanto, a participação é tímida, com pouco mais de 150 assinaturas.