Laércio Cosentino, CEO da Totvs.

A Totvs fechou um acordo com a Amazon pelo qual clientes da empresa brasileira de sistemas de gestão poderão optar por rodar parte ou a totalidade de suas soluções na nuvem da Amazon Web Services a partir de junho.

“Percebíamos que tínhamos clientes que já eram usuários da Amazon, mas não conseguiam extrair todos os benefícios da nuvem pública. A partir disso, evoluímos algumas de nossas soluções para oferecer mais desempenho na nuvem”, destaca Laércio Cosentino, CEO da Totvs.

A Amazon abriu seu data center no Brasil em 2012. Com o acordo com a Totvs, a empresa ganha um impulso e tanto no país.

Dona de um faturamento de R$ 1,8 bilhão em 2014, uma alta de 12% frente ao ano anterior, a Totvs lidera em sistemas de gestão para pequenas e médias empresas no país, com uma participação de 51% entre as empresas com até 170 usuários segundo dados da  Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV).

Já no segmento de empresas médias, de 170 a 700 usuários, a Totvs tem 40%. Somente entre as grandes empresas, com mais de 700 usuários, a Totvs não é líder, ficando com 20% de share frente a 51% da SAP.

A Totvs oferecia ela mesmo serviços de data center há 12 anos. Ainda em 2012, a empresa investiu R$ 20 milhões em ampliar o seu centro de dados em São Paulo para 1,5 mil metros quadrados e comprar geradores para garantir autonomia de cinco dias.

Desde então, no entanto, a Totvs ampliou muito sua aposta em softwares na nuvem.

O oferta mais chamativa é o Fluig, uma combinação de  funcionalidades de GED, workflow e BPM integrados a conceitos de rede social lançada em julho de 2013.

Em março, o software somava mais de 300 clientes e 250 mil usuários em todo o Brasil, quase o triplo de um ano antes. 

A empresa também tem os softwares da chamada Série 1, vendidos na nuvem por R$ 99. Assim como está fazendo com o Fluig, a Totvs tem planos de estruturar um canal próprio para esse produto, que em agosto de 2013 tinha 40 mil clientes no país.

Estão sendo lançadas novas versões do software como o Série 1 Saúde WEB powered by Ninsaúde, feito em parceria com a startup saúde Ninsáude e lançada no ano passado. Esse tipo de acordo é uma forma da Totvs cooptar a nova leva de ERPs na nuvem que está chegando ao mercado.

Com tantas coisas acontecendo, a Totvs pode ter interpretado que não seria um bom negócio gastar o dinheiro necessário para sustentar essa oferta do ponto de vista de infraestrutura.

A arquirrival SAP, por exemplo, apesar de ter anunciado um investimento de R$ 19 milhões em um data center no Brasil no ano passado, só hospedará nesse centro softwares como o SucessFactors, adquiridos pela matriz nos últimos anos.

O grosso da oferta, formado pelos softwares de gestão mais tradicionais, é hospedado em parceiros como a Sonda e T-Systems, ou players de mercado como a IBM.