Com a pandemia, startup saltou de 28 mil clientes para 97 mil. Foto: divulgação.

A Meu Tudo, startup cearense de crédito consignado on-line, recebeu um aporte de R$ 12 milhões em sua segunda rodada de investimentos, liderada pela Domo Invest, gestora de venture capital.

Segundo o site NeoFeed, o valor inclui capital dos próprios sócios, além dos recursos da Domo. Anteriormente, a empresa já tinha captado R$ 3 milhões em 2017, seu ano de fundação.

Fundada por Marcio Feitoza e Felipe Oquendo, a startup é um marketplace de crédito consignado que conta com a oferta de nove bancos: BMG, Olé, Cetelem, Santander, Pan, Daycoval, China Construction Bank (CCB), Bradesco e Safra.

A Meu Tudo faz parte do CFM, grupo familiar com uma longa trajetória na área de empréstimo consignado e que hoje conta com nove empresas nas áreas de tecnologia e de finanças.

Com foco no atendimento a aposentados e servidores públicos federais, estaduais e municipais, o processo da Meu Tudo é completamente on-line e a contratação do crédito pode ser feita em 10 minutos, com taxas a partir de 1,29%.

A pandemia acelerou o crescimento da plataforma, já que muitas pessoas deixaram de ir às agências bancárias por conta do isolamento social.

No ano passado, a startup tinha 28 mil clientes e, em 2020, o número saltou para 97 mil, com R$ 50 milhões emprestados por mês. A meta é chegar a uma média mensal de empréstimos de R$ 100 milhões até o fim deste ano.

Neste período, o número de funcionários dobrou, passando de 40 para 80.

Com a injeção de capital, a Meu Tudo pretende acelerar o crescimento e fortalecer os canais de aquisição, atendimento e suporte aos clientes.

Ainda de acordo com a publicação, o próximo passo da Meu Tudo deve ser a criação de sua própria linha de crédito de R$ 250 milhões, que deve estar disponível no segundo semestre. 

Para atuar diretamente, a startup negocia acordo com uma gestora especializada em crédito consignado. O objetivo é montar um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para captar os recursos que serão oferecidos aos clientes.

A Meu Tudo negocia também com um parceiro de tecnologia o serviço de banking as a service para poder oferecer o crédito próprio, pois não tem licença do Banco Central para prestar o serviço.

“Há boas startups de crédito. Mas no mercado de crédito consignado não tinha ninguém em condições apropriadas para dar passos largos como o Meu Tudo”, afirmou Felipe Andrade, sócio da Domo Invest, ao NeoFeed.

A Domo é conhecida por fazer investimento no estágio seed. Em geral, os cheques variam de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões. 

Essa é a quinta fintech do portfólio da gestora, que já investiu nas startups Noverde, Ioou, Bloxs e Grão.

De acordo com uma pesquisa do Distrito, ecossistema independente de startups, o Brasil tem 742 fintechs e as startups especializadas em crédito representam 15,8% desse universo, sendo a segunda categoria com mais empresas.

O crédito consignado, por sua vez, é a maior linha de crédito pessoal do Brasil. Ela conta com R$ 400 bilhões de estoque de carteira de crédito, o dobro do crédito para financiamento de veículos no país.