Ministro da Fazenda, Guido Mantega. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.

O PIB do Brasil caiu 0,6% no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses de 2014. Como o resultado do primeiro trimestre foi revisado para queda de 0,2% (versus aumento de 0,2% informado anteriormente), parte dos economistas afirma que o país entrou em recessão técnica. 

É a primeira recessão técnica desde o fim de 2008, quando houve recuo de 3,9% no último trimestre e de 1,6% no primeiro trimestre de 2009.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, culpou o cenário internacional fraco, a seca e a redução de dias úteis em função da Copa pelo resultado negativo. O ministro também atribuiu o baixo desempenho do PIB às medidas adotadas pelo Banco Central para combater a inflação.

"Não dá pra dizer [que o país está em recessão]. Não há parâmetros universalmente aceitos para definir o que é uma recessão. O segundo trimestre foi influenciado pelo primeiro e se houver uma revisão, você deixa de ter dois trimestres negativos. Não se deve falar em recessão no Brasil pois, para mim, recessão é quando se tem uma parada prolongada, de vários meses”, afirmou Mantega, segundo a Folha.

Um dia depois da divulgação, por parte do governo, de previsão de alta de 3% para 2015, o ministro afirmou que o resultado do segundo trimestre "ficou aquém das expectativas" e que a previsão de crescimento de 1,8% para este ano terá de ser revista.

Segundo o ministro, a maior parte dos efeitos negativos do período não deve se repetir no terceiro trimestre, que, acredita, será positivo. 

"No terceiro trimestre vamos ter 10% a mais de dias úteis. É como termos 10% a mais de produção e comércio”, disse.

Com o resultado do segundo trimestre, a economia brasileira acumula alta de 0,5% nos seis primeiros meses do ano. 

De abril a junho, as importações apresentaram queda de 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o trimestre anterior, o recuo foi menor, de 2,1%.

Segundo o IBGE, tiveram destaque negativo na pauta de importações as máquinas e tratores, as compras da indústria automotiva, de equipamentos eletrônicos, de materiais elétricos, da indústria extrativa mineral, dentre outros.

Os empresários de TI, no entanto, parecem não estar levando em conta os números apresentados.

O último levantamento trimestral da Advance Consulting com 2,5 mil profissionais do setor indica uma expectativa média de crescimento para 2014 da ordem de 10,4%. 

É quase o dobro da previsão do setor de TI (6,65%) e dez vezes mais do que o previsto para a economia brasileira como um todo.

Os empresários do setor de tecnologia vem errando em suas projeções. O relatório da consultoria lembra, por exemplo, que 43% das empresas tiveram resultados abaixo do planejado em 2013.

De acordo com o relatório, as empresas menores não estão acompanhando os dados e fatos de mercado e estão com expectativas mais altas de crescimento da economia – o que não deve acontecer. 

"Portanto, terão uma surpresa desagradável no final de 2014", diz o documento.