Impressão 3D ainda está engrenando. Foto: Pixabay.

SAP e Stratasys fecharam um acordo para lançar cinco laboratórios de coinovação para impressão 3D, localizados em Paris, na França; Joanesburgo, na África do Sul; Waldorf, na Alemanha;  Newtown Square e Palo Alto, nos Estados Unidos.

Os espaços devem educar e capacitar clientes, funcionários e parceiros sobre como soluções de manufatura aditiva, a especialidade da Stratasys, podem funcionar com  fluxos de trabalho de certificação, planejamento, suprimento e produção, o foco da SAP.

A localização não é por acaso. De acordo com dados da Wohlers Associates de 2015, a América do Norte representa 40% do mercado mundial de impressoras 3D, seguidas da Europa, com 28% e Ásia Pacífico, com 27%, deixando apenas 5% para o resto do mundo.

Em setembro, a SAP já havia lançado o SAP Distributed Manufacturing, um aplicativo pelo meio do qual clientes poderiam usar a rede de provedores de impressão 3D e de entrega da UPS para encomendar peças. A Airbus e a HP Inc também estão nessa iniciativa.

"Os fabricantes, seus fornecedores e parceiros de produção reconhecem cada vez mais o potencial da impressão 3D em estratégias inteligentes de cadeia de suprimentos digitais, que são otimizadas com velocidade e eficiência sem precedentes", explica Hans Thalbauer, vice-presidente sênior de Supply Chain e IoT da SAP.

Ainda neste ano, a SAP anunciou investimentos de US$ 2,25 bilhões em investimentos na área de Internet das Coisas, em outro movimento para aproveitar as oportunidades sendo criadas no segmento industrial, no qual a companhia nasceu como um provedor de software de gestão para o lado mais administrativo, ainda nos anos 80.

A Stratasys também tem se mexido. Dias atrás, a empresa fechou um acordo com a Siemens PLM para aumentar a integração das suas impressoras 3D com os softwares de design e ciclo de vida do produto da multinacional alemã. 

Em nota, as empresas destacaram que o acordo “lança as bases” para a “visão comum de incorporar a manufatura digital aditiva ao fluxo de trabalho tradicional das indústrias”.

No caso da Stratasys, a aproximação com os provedores de tecnologia do segmento é uma forma de tentar transformar o hype em torno de impressão 3D em tinta azul no balanço da empresa.

O Gartner previu no ano passado que a venda de impressoras 3D cresceria num ritmo de 100% anual a partir de 2016 até 2019, chegando no final do período com vendas de 5,6 milhões de unidades.

O estudo da Wohler's aponta que impressão 3D deve capturar 5% da capacidade da manufatura mundial, algo como US$ 640 milhões.

O problema é que as projeções estão demorando a virar realidade, pela dificuldade de emplacar impressão 3D em ambientes de produção em grandes volumes, tornando a tecnologia tão comum como as tradicionais máquinas CNC.

A situação se reflete nos resultados da Stratasys, que consolidou o mercado comprando a Objet e lidera o segmento, mas amargou uma queda de receita de 7,2% no ano fiscal 2015, totalizando US$ 696 milhões, enquanto o prejuízo se multiplicava 10 vezes, para US$ 1,4 bilhão.