Andrea Iorio foi o keynote do evento presencial. Foto: divulgação.

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O Seminário Executivo Sucesu-RS, evento tradicional da comunidade de TI gaúcha que voltou ao formato presencial na quinta-feira, 25, trouxe como keynote o italiano Andrea Iorio, ex-diretor do Tinder e ex-Chief Digital Officer (CDO) da L'Oréal.

Para a plateia formada pelos CIOs das principais empresas do Rio Grande do Sul, o executivo adaptou a palestra “As 10 Tendências de um Mundo Pós-Pandemia” e listou os pilares da gestão e liderança na área da tecnologia que nasceram ou foram acelerados pelo mundo pós-pandemia. 

Para quem perdeu o evento ou compareceu e não anotou o conteúdo, o Baguete traz um resumo das tendências apresentadas.

1. Flexibilidade cognitiva

A primeira grande tendência listada por Iorio é a necessidade de ser mais do que um líder especialista em tecnologia, agregando conhecimento de várias outras áreas do saber — como neurociência, antropologia, comportamento humano e novas gerações.

“Hoje o mundo está mais conectado, complexo, cheio de variáveis onde a gente tem que entender cada vez mais o cliente consumidor. Todos podemos ser especialistas no nosso produto ou serviço, mas agora o desafio é ser especialista no nosso cliente”, destacou o palestrante.

O executivo exemplificou que o sucesso do Tinder não veio da tecnologia em si, mas da aplicação da tecnologia a outras ciências. Uma das primeiras contratações da startup, por exemplo, foi uma socióloga.

2. Crescimento não linear

Em seguida, Iorio destacou que é preciso olhar para a inovação e o crescimento não só na especialidade da empresa, mas criar ecossistemas mais aptos a partir das dores do cliente com um processo de aprendizado e reaprendizado constante.

Exemplos disso são a Amazon, que teve origem no e-commerce e expandiu para serviços como cloud e streaming, e a MRV Engenharia, empresa do ramo de construção civil que criou o banco Inter.

3. Atitude maker

Neste caso, a visão do palestrante é de que, neste novo cenário, serão priorizadas empresas que vejam as ideias como commodities, sem deixar para depois o processo de implementação.

“A ideia nos faz criativos, mas não inovadores. A inovação é quando a gente transforma a ideia em um protótipo escalável e viável. Para isso, é preciso uma organização que tenha uma boa cultura de erro, até porque a digitalização nos permite testar e errar mais a custo mais baixo”, explicou o keynote. 

4. Antifragilidade

O ponto aqui é mudar o modelo de interpretação de erros na empresa, valorizando os chamados “erros inteligentes”, experimentando mais, minimizando o custo dos experimentos e aprendendo com os erros em vez de escondê-los embaixo do tapete. 

“É mais do que resiliência. A definição de antifragilidade é que depois de um erro a gente não quer voltar ao estado normal, a gente quer evoluir, crescer, aprender com ele”, explicou Iorio.

5. Big Data 

Como os feedbacks dos clientes são dados brutos, o ex-Tinder afirma que é preciso aprender a transformar esses dados em insights, ou seja, correlações entre informações que ajudam a tomar melhores decisões. 

“O fato de estarmos cada vez mais conectados como sociedade nos faz gerar mais dados. Com isso, não temos mais desculpas para não entender a dor do cliente, os gaps do mercado, personalizar a experiência. Ao mesmo tempo, muito dado pode confundir e dificultar a nossa relação com ele”, alertou.

6. Personalização

Para Iorio, é necessário ter uma personalização extrema e máxima desses dados para garantir uma boa experiência. Exemplos são personalizar precificação, experiências, surpreender e tornar as vendas menos transacionais e mais memoráveis.

7. Pensamento crítico

“Nós às vezes achamos que somos melhores líderes porque temos todas as respostas, enquanto, na verdade, a nossa habilidade de fomentar as perguntas, olhar para o mundo sob perspectivas diferentes e desafiar as crenças que existem é o que faz a diferença”, provocou o palestrante.

8. Mente de principiante

Para Iorio, o líder de tecnologia não precisa ter apenas a mente do expert, que pega todas as suas crenças, preconceitos, conhecimentos, experiências vividas. 

“Não joguem elas no lixo, por favor, mas não usem elas como respostas cegas para tudo. Elas precisam ser ponto de partida para uma reflexão constante sobre estarem alinhadas com um mundo, uma tecnologia, um cliente, um consumidor ou um mercado, que mudam de forma muito rápida”, aconselhou.

A chave para essa tendência seria o fomento da diversidade de todos os tipos de ponto de vista na empresa. “Quando pensamos de uma forma muito semelhante entre a gente ou apenas olhamos para o concorrente como benchmarking, estamos baixando a régua”, explicou o keynote. 

9. Altruísmo digital

“A gente não faz as nossas coisas mais loucas, ousadas, inovadoras e transformadoras porque alguém mandou. Também não é pela recompensa financeira de curto prazo, nem pelo prazer. Nós fazemos baseados na expectativa de reciprocidade, de que quem está conosco está fazendo o mesmo para a gente, vai estar aí quando for necessário”, destacou o italiano.

10. Confiança remota

Para Iorio, herdou-se de um mundo físico a tendência de ter o controle das coisas só porque era possível vê-las, mas, para trazer isso para o mundo remoto, seria preciso repensar a forma de se conectar entre pessoas.

“A humanização cria algo que nenhuma tecnologia consegue substituir, que é confiança entre as pessoas. Não tem colaboração sem confiança e, por isso, a gente precisa entender quais são os mecanismos e fazê-los porta vozes da confiança dentro da empresa”, destacou.

Um desses motores seria a vulnerabilidade, ou seja, "descer do pedestal" como líder e se aproximar. “A vulnerabilidade e a humanização é como um ímã, aproxima”, afirmou. 

Por isso, ter mais tempo e recurso emocional à disposição se tornaria uma prerrogativa de um líder no mundo digitalizado para verdadeiramente ser o promotor de uma mudança cultural dentro da organização.

“Mesmo em um cenário altamente imprevisível, como o da pandemia da Covid, esse líder reescreve as regras do jogo. Quando a gente quebra a dependência do passado, ficamos mais livres para encontrar nossos caminhos diante dessas novas tendências do futuro”, finalizou Iorio.

*Luana Rosales foi ao Seminário Executivo Sucesu-RS, em Viamão, no Rio Grande do Sul, a convite da Sucesu-RS.